O desafio que a tecnologia e a cultura travam na pandemia

Martin Grossmann questiona a dimensão que a virtualidade oferece e faz uma retrospectiva histórica, considerando equipamentos voltados para a arte como museus e centros culturais

 “Precisamos voltar a investir na relação entre cultura e tecnologia. Isto de fato está sendo falado e comentado. Mas qual o rumo a seguir?”, questiona o professor Martin Grossmann em sua coluna Na Cultura, o Centro Está em Toda Parte, na Rádio USP (clique e ouça o player acima). “Onde este investimento em cultura e tecnologia precisa ser feito?”

Grossmann faz uma retrospectiva histórica dessa relação, considerando equipamentos voltados para a arte como museus e centros culturais. “Eu recorro também para melhor entendimento ao vocabulário e conceitos que hoje dispomos que vêm da tecnologia computacional, como hardware e software.” O professor assinala que hardware é o conjunto de equipamentos, maquinaria e estrutura física de um computador e o software são os programas, aplicativos, que mantêm esta estrutura do computador funcionando. “Essa relação ajuda a entender como é que principalmente no histórico do museu ou centro cultural sempre houve essa relação entre hardware e software.”

Nesta busca da história, Grossmann observa: “O museu moderno nasce do neoclássico. E o principal museu que influenciou, inspirou outros museus, foi inaugurado em 1830, na Ilha dos Museus de Berlim, sendo desenhado pelo arquiteto Karl Friedrich Schinkel”.

O professor ressalta: “Este equipamento é uma beleza quando pensamos na relação hardware e software porque o hardware explora muito bem e revigora as características do clássico e as atualiza e o software são os modos de exposição que alinha essa relação entre a narrativa e os objetos”.

Em contraposição a esse museu da cultura material Grossmann destaca: “Temos, em 1851, algo extraordinário, que é a construção do Palácio de Cristal, no Hyde Park, em Londres. Uma gigantesca estrutura de ferro fundido e vidro que abrigou a primeira grande exposição universal que mostrava de tudo: maquinário e até pessoas, tribos que vinham de outros continentes. Uma verdadeira loucura. Isso já rompia com o afastamento do entorno com o interno, porque era tudo transparente, permitindo uma interação que nunca se pensou antes”.

A iniciativa, fruto da relação entre cultura e tecnologia, acabou gerando um novo paradigma. “Trata-se do Museu de Arte Moderna de Nova York, mas também os centros culturais que hoje utilizamos e aproveitamos nesta cidade, como o Centro Cultural São Paulo e o Sesc Pompeia, que considero referenciais.

Mas e na cultura da virtualidade que agora estamos atravessando com a pandemia? O professor comenta e deixa um questionamento no ar: “As relações entre software e hardware começam a diluir e aí está o grande desafio. Como tratar dessas dimensões que a virtualidade oferece e que necessariamente já não precisam tão claramente, como na cultura material, dessa distinção entre hardware e software?”.


Na Cultura, o Centro está em Toda Parte
A coluna Na Cultura o Centro está em Toda Parte, com o professor Martin Grossmann, vai ao ar toda quarta-feira às 9h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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