Nos 75 anos da ONU, participação do Brasil é deplorável, diz colunista

Pedro Dallari lamenta que o presidente Jair Bolsonaro tenha defendido não só a conduta do governo diante da pandemia do coronavírus como também em relação à preservação do meio ambiente

 23/09/2020 - Publicado há 1 ano
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“Na celebração dos 75 anos da ONU, a participação do Brasil, por meio do presidente da República, foi simplesmente deplorável.” É o que afirma o professor Pedro Dallari ao analisar o pronunciamento de Jair Bolsonaro durante os trabalhos de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, tarefa que há muito tempo cabe ao Brasil. Depois de observar que a sessão deste ano foi importante por marcar os 75 anos da entidade, num contexto de “gravíssimas situações no plano internacional” – com destaque para a pandemia da covid-19 -, Dallari diz que “Bolsonaro defendeu a conduta do governo federal diante da pandemia. Isto quando o Brasil já tem mais de 140 mil mortes, tendo em vista que os números oficiais estão, evidentemente, subestimados”.

Não bastasse isso, o presidente da República defendeu a conduta do governo federal para a Amazônia e para o meio ambiente. “E isto quando se verificam índices recordes de desmatamento e com incêndios devorando a Amazônia e, atualmente, a região do Pantanal. Além do mal que essas condutas do governo federal acarretam internamente, a postura da defesa dessas condutas no plano internacional é vergonhosa para a sociedade brasileira”, por tratar-se da negação de valores e de políticas que o Brasil adotou internamente e que sempre ajudou a construir globalmente. Prossegue Dallari: “A primazia dos direitos humanos e a defesa do meio ambiente são diretrizes políticas do Estado brasileiro, escritas na Constituição Federal. Nenhum governo pode negar efetividade a essas diretrizes, que pertencem à sociedade brasileira”.

O colunista conclui: “É urgente, portanto, que as forças políticas brasileiras saiam de seu estado de inação e afastem o presidente, que está comprometendo o futuro da nossa sociedade”. Acompanhe o comentário, na íntegra, pelo link acima.

 


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