Necessidade de trabalhar é responsável por maior parte da propagação da covid-19

Glauco Arbix comenta estudo que, baseado em dados de internações e fluxos de ônibus, aponta que maior parte da contaminação se dá entre aqueles que têm de deixar suas casas para trabalhar

A maior parte da propagação da covid-19 se deu entre pessoas que não aderiram à quarentena por necessidade de ir ao trabalho. Isso é o que indica uma pesquisa do LabCidade, o Laboratório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, que comparou a concentração de internados na cidade de São Paulo, bairro a bairro, com dados públicos de circulação de ônibus para chegar a esta conclusão.

“Os dados são muito claros. Sapopemba, Brasilândia e Capão Redondo, que têm números grandes de internação, são áreas em que as pessoas não puderam ficar em casa durante a quarentena. Essa análise é importante, pois orienta a elaboração de políticas públicas”, afirma Glauco Arbix.

Além das medidas intuitivas, como a limpeza de materiais de uso individual, incentivo à utilização de máscaras e álcool em gel, aumento no número da frota de ônibus e evitar carros superlotados o especialista aponta que deveriam ser expandidos os espaços dos terminais dos pontos de ônibus.

Tal estudo desenvolvido na FAU, ainda de acordo com Arbix, mantém contato com um boletim da Rede de Pesquisa Solidária, que, utilizando de inteligência artificial, mostrou que o auxílio emergência, que tinha como objetivo ajudar as pessoas financeiramente e evitar que saíssem de casa, falhou. A medida é considerada falha pelo professor pois, mesmo as pessoas que recebem o auxílio, continuam saindo de casa.

Ouça na íntegra no link acima.

 

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