Na questão ambiental, Brasil parece o curupira

Paulo Saldiva comenta relatório do Inpe, segundo o qual as queimadas no Brasil só têm aumentado, apesar de o País possuir os mecanismos necessários para detectá-las e reprimi-las, preferindo, em vez disso, agir como o conhecido personagem folclórico, que olha para a frente, mas tem os pés voltados para trás

 Publicado: 22/11/2021
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Relatório do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), emitido em outubro passado, revela que as queimadas no Brasil, em vez de diminuírem, aumentaram em cerca de 20% em comparação aos dados obtidos há um ano. Diz o colunista: “De um lado, existe um comprometimento das autoridades, no sentido de preservação da mata, e o resultado é um aumento das queimadas. Mais intrigante ainda é o fato de que o Brasil dispõe de um sistema sofisticado de satélites para detectar queimadas em tempo real”. Ele prossegue: “Mais intrigante ainda se torna essa situação quando sabemos que temos uma legislação e um código florestal bastante avançado. Por que, se nós temos um compromisso internacional de reduzir o desmatamento, se nós temos instrumentos para quantificar e saber onde está ocorrendo o desmatamento, e também temos uma base de leis que permite a adoção das medidas previstas pela legislação?

Para Saldiva, é verdade que o País possui uma política ambiental avançada, no entanto, “a execução dessa política é que é bastante deficiente”. Atividades ilegais e o comércio de madeira e o agronegócio são em grande parte responsáveis por essa situação, “e ao mesmo tempo você não tem medida nenhuma. Se isso não for objeto de uma investigação séria, com determinação e apuração dos culpados, eu não sei mais o que poderia ser”, desabafa o colunista. Nesse aspecto, complementa, o Brasil mais parece, na área ambiental, o curupira, que olha para a frente, embora os pés estejam voltados para trás.


Saúde e Meio Ambiente
A coluna Saúde e Meio Ambiente, com o professor Paulo Saldiva, vai ao ar toda segunda-feira às 9h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção  do Jornal da USP e TV USP.

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