Na pandemia, crise e esperança para os direitos da mulher

De acordo com Dallari, o direito das mulheres e a igualdade de gênero são condições para a estabilidade das relações sociais em âmbito global

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Este mês, que ora se encerra, teve como destaque as comemorações em torno do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, evento sobre o qual o professor Pedro Dallari tece algumas considerações nesta sua coluna para a Rádio USP. A atual pandemia da covid-19 revela, em todo o mundo, um quadro de crise econômica e social que atinge as mulheres com maior gravidade, como atesta a própria Organização Internacional do Trabalho em relatório divulgado no início deste ano.

O documento mostra que as mulheres foram mais atingidas do que os homens pela crise global, com a perda de postos de trabalho – ao longo de 2020, produziu-se uma diminuição sem precedentes da ocupação do número de postos de trabalho, em escala mundial, com o registro da queda de 114 milhões de empregos em relação a 2019. Ainda segundo o relatório, em termos relativos, essa diminuição foi maior no caso das mulheres do que no dos homens, o que também ocorreu com a renda derivada do trabalho, cuja queda afetou mais as mulheres.

Além disso, lembra o colunista, as mulheres também foram vítimas de um quadro de violência doméstica que se ampliou durante a pandemia, sem falar que foram elas as maiores vítimas da covid-19 entre os profissionais da saúde, justamente por serem consideradas a maioria no setor. “Mas há um lado que deve ser observado: a história revela uma tendência importante – as grandes crises mundiais, como essa da pandemia, ao exporem com mais crueza a situação de desigualdade, alimentam, por sua vez, a luta por sua superação. Na esteira das duas grandes guerras mundiais, deu-se um movimento muito importante para a afirmação da igualdade de gênero que, entre outras coisas, consagrou o direito de voto para a mulher, que até o início do século passado não era reconhecido.”

Mais importante ainda, lembra Dallari, foi que se fixou o direito das mulheres e a igualdade de gênero como uma condição para a estabilidade das relações sociais em âmbito global, como reza, aliás, o preâmbulo da Carta das Nações Unidas, em 1945. “Ao se encerrar, portanto, o mês em que se celebra o direito das mulheres, a tônica deve ser no sentido da sua promoção, da sua afirmação, para a construção de uma sociedade melhor e mais justa”, conclui o colunista.

 

 


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