Mundo não vive só crises humanitárias, mas também de cooperação e solidariedade

Margarita Victoria Gomez explica relação entre direitos humanos, migração e educação com a atual pandemia, que é tema de curso de extensão da USP

jorusp

Ao longo da história o ser humano sempre migrou de um lugar para outro, com picos de migração ocasionados por guerras, questões étnicas, fome ou melhores condições de vida. A mais recente grande onda migratória que o mundo está vendo despertou não só a necessidade de países acolherem os migrantes e refugiados, como também garantir direitos humanos universais e básicos. Pensando nisso, o Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (Nupri) da USP está organizando o curso de extensão gratuito Direitos humanos: migração e educação em tempos de covid-19.

Ao propor uma discussão sobre a migração contemporânea no Brasil, o debate estará em torno da proteção, segurança e políticas públicas ligadas a migrantes e refugiados no País. “A educação como direito internacional vai trazer para o debate a situação desses imigrantes na atual pandemia de covid-19, que tem se agravado bastante e eles estão no grupo dos mais vulneráveis”, explica a professora Margarita Victoria Gomez, pesquisadora do Nupri, associado ao Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, em entrevista ao Jornal da USP no Ar

A pandemia não só alterou o modo de vida do brasileiro como acentuou suas desigualdades, por exemplo, com quem faz home office, quem precisa sair de suas casas para trabalhar, quem tem internet para aulas virtuais ou aqueles que sequer possuem equipamentos em casa, como o computador. Os imigrantes que vêm para o Brasil passam não apenas por isso. Eles precisam enfrentar filas de matrículas escolares, muitos dependem da merenda da escola para alimentação dos filhos, fora as condições de moradia e trabalho precárias. 

Neste contexto a crise sanitária se soma à crise humanitária, que afeta 1% da população mundial forçada a deixar seus locais de origem (cerca de 79 milhões de pessoas), com aproximadamente 43 mil refugiados no Brasil, sendo 88% venezuelanos. Segundo a professora, desses venezuelanos 77% não têm acesso às aulas da escola, à universidade. Para Margarita, essa dificuldade está totalmente relacionada ao que o próprio Comissariado das Nações Unidas já afirmou: “O sistema internacional não está apenas com crises humanitárias, mas também de cooperação e solidariedade”.

Com o acolhimento desses imigrantes, na maior parte das vezes em países pobres ou em desenvolvimento, esses Estados nem sempre possuem a mesma estrutura financeira que países europeus, que fecham suas fronteiras. “Entendemos que a educação e migração estão relacionadas com a política internacional e influenciadas por atores estrangeiros”, destaca a professora.

O curso de extensão USP Direitos Humanos: migração e educação em tempos de covid-19 acontece de 3 a 31 de agosto. As inscrições gratuitas vão até o dia 30 de julho e mais informações você confere clicando aqui

Ouça a entrevista completa no player acima.


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