Marisa Midori fala sobre colecionadores, bibliófilos e suas idiossincrasias

Apesar de colecionadores e bibliófilos serem movidos pela posse do livro, há muitas diferenças

Na coluna Bibliomania desta semana, a professora Marisa Midori aborda as questões que envolvem bibliófilos e colecionadores. “Para discutir a questão do bibliófilo e do colecionador eu selecionei uma passagem bastante conhecida de Umberto Eco”, diz a professora, informando que o trecho ilustra as idiossincrasias do autor e, também, o significado que tem para ele colecionar livros.

No caso de um colecionador, como aponta Marisa, a primeira observação que se pode fazer é que dificilmente alguém compreende por que ele coleciona um tipo de objeto. “Por exemplo, Mithat, personagem do documentário dirigido por Pelin Esmer, ainda em exibição na plataforma Mubi (tema da coluna da semana passada), dividia sua coleção de objetos em duas categorias: o que ele podia e o que ele não podia colecionar e, nesta segunda, o preço e o tamanho (ele não tinha mais espaço em seu apartamento) definiam as escolhas. Tudo isso fazia de sua coleção uma lista interminável e vertiginosa de objetos os quais, a rigor, não formavam nenhum conjunto”, explica.

É certo que colecionadores e bibliófilos são movidos pela posse do livro. Mas, segundo a professora, há aqui uma diferença: “Colecionadores especializados tendem a esgotar o objeto da coleção ou a se enfastiar com o acúmulo desses objetos. Bibliófilos dificilmente se cansam, pois, quando o acúmulo os satisfaz por um determinado momento, ainda resta o prazer da descoberta e da leitura. O bibliófilo é capaz de amar até as brocas que rendilham as folhas. E, para fechar com Umberto Eco: ‘Por amor a um belo livro, a gente se dispõe a qualquer baixeza’”.


Bibliomania
A coluna Bibliomania, com a professora Marisa Midori, vai ao ar toda sexta-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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