Juiz americano que votou a favor da revogação do direito ao aborto já foi acusado de estupro

Diante desse fato, indaga Marília Fiorillo: como se permite a um suspeito de ser um predador sexual decidir sobre algo tão sério como a legalidade do aborto?

 01/07/2022 - Publicado há 2 meses

A professora Marília Fiorillo fala sobre a decisão da Suprema Corte Americana de revogar o direito ao aborto, algo que considera um retrocesso. “Essa deplorável decisão, sobre uma questão de saúde pública, provavelmente será aplicada em cerca de metade dos Estados norte-americanos, que vão criminalizar o que era um direito”. A colunista acredita que a medida não vai acabar com os abortos, “ao contrário, levará muitas mulheres a recorrer a procedimentos clandestinos e arriscados. Como de hábito, as mais penalizadas serão as mulheres pobres, sem condições financeiras para viajar para aqueles Estados que vão manter o direito conquistado”.

Foi uma vitória dos conservadores e da mentalidade antiaborto, antigays, contra as pesquisas de células-tronco. Há uma nuvem negra, porém, pesando sobre um dos magistrados – Brett Kavanaugh – que votaram com a maioria. Em sua biografia, há um detalhe “que faz desse retrocesso algo mais ofensivo e hipócrita”. Isso porque ele foi acusado de assédio sexual e tentativa de estupro por três mulheres – uma delas, a professora universitária Christine Blasey Ford, chegou a depor no Comitê do Senado americano e o assunto foi amplamente explorado pelo jornal The Washington Post na época (2018). “Fica então a pergunta: como se permite a um suspeito predador sexual decidir sobre algo tão sério como a legalidade do aborto?”


Conflito e Diálogo
A coluna Conflito e Diálogo, com a professora Marília Fiorillo, vai ao ar toda sexta-feira às 10h50, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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