Leila Diniz altera paradigmas ao falar de liberdade sexual para “O Pasquim”

Em entrevista publicada há 50 anos, atriz escapa ao jugo masculino iniciando uma revolução, analisa Janice Theodoro

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“Eu posso amar uma pessoa e ir para a cama com outra. Já aconteceu comigo”, disse Leila Diniz em entrevista publicada no O Pasquim, em 20 de novembro de 1969. Pioneira da liberdade sexual no Brasil, Leila, então com 24 anos, inaugurou um novo paradigma para o jornalismo e, principalmente, para a figura da mulher. O Jornal da USP no Ar conversou com Janice Theodoro da Silva, ex-presidente da Comissão da Verdade da USP e professora titular aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, sobre a icônica entrevista da atriz.

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Janice destaca que o período da entrevista coincide com o da ditadura militar brasileira, a censura e o AI-5. “Ela teve muita coragem, foi criticada tanto pela direita quanto pela esquerda”, esclarece. A professora explica que, mesmo após conseguir o direito ao voto, a mulher continuou sendo subordinada ao olhar masculino. “Leila conseguiu escapar desse olhar, ela é o símbolo de uma mulher que escapa ao jugo do homem”, conta a professora, e acrescenta: “Ela assume o prazer, assume o corpo”, inciando um processo revolucionário.

Ainda hoje, a entrevista ocupa um lugar de relevância, sobretudo diante do conservadorismo. Janice destaca a importância de Leila ao inciar um processo de mudança, que atualmente sofre um processo de ataque por uma camada conversadora da sociedade. Por conta disso, rememorar figuras como Leila Diniz é fundamental.

Ouça a entrevista, na íntegra, no player acima.

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