Câncer no trato digestivo requer atenção aos mínimos sintomas

Doença pode surgir de situações comuns como refluxo ou dor de estômago persistente, explica Tomas Navarro

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Recentemente foi noticiado que o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, está com câncer no trato digestivo. O diagnóstico de um tumor na transição entre o esôfago e o estômago surpreendeu porque, embora não seja raro, geralmente acomete pessoas mais idosas. Para entender melhor essa doença, o Jornal da USP no Ar conversou com o professor Tomas Navarro, da pós-graduação na área de Gastroenterologia Clínica da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

“Esse tipo de tumor não é o mais comum entre os tumores do trato digestivo, porém é o mais relacionado a situações frequentes de refluxo.” O médico explica que, nos casos em que a pessoa apresenta refluxo constantemente, aquele conteúdo que retorna do estômago machuca aos poucos a parede do esôfago. Essa lesão pode desencadear a formação de células com alterações genéticas que resultam no tumor.

Pelo fato dos sintomas serem comuns, muitas vezes a doença é negligenciada. Navarro cita, por exemplo, uma dor de estômago que não se investiga porque geralmente pensamos ser fruto de algo que comemos. Com isso, geralmente as pessoas tomam remédios paliativos e a doença progride. “Se você apresenta um sintoma que persiste para além de uma situação pontual, a probabilidade de você ter alguma doença acoplada a esse sintoma é muito grande”, comenta.

Existem diferentes caminhos a se seguir para o tratamento desse tipo de câncer. Segundo o médico, quando o tumor é muito grande e pode atingir outros órgãos, geralmente opta-se por fazer a quimioterapia primeiramente. Ele ainda pontua que hoje em dia a quimioterapia não faz jus à fama de ser devastadora em seus efeitos colaterais. “O tratamento tem levado a uma sobrevida muito boa e a cada ano surgem drogas mais eficazes.” Com o tumor menor, se opta pela intervenção cirúrgica – com alto índice de ser curativa, diz Navarro.

Ouça a entrevista completa no player acima.


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