Acordo da base de Alcântara não especifica valor que Brasil receberá

Locação da base próxima à linha do Equador pode reduzir custo de lançamentos em cerca de 20%, conta Eduardo Janot Pacheco

Aprovado pelo Congresso Nacional, o acordo de salvaguarda tecnológica, que permite aos Estados Unidos (EUA) lançar foguetes da base de Alcântara, segue para promulgação. O Jornal da USP no Ar volta a discutir o tema, desta vez com o professor Eduardo Janot Pacheco, aposentado do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP.

O professor Pacheco conta que acordos do gênero são sensíveis, afinal, “o mesmo foguete que lança um satélite pode lançar um míssil nuclear”. No entanto, o acordo entre Brasil e EUA não permite o uso da base de Alcântara para fins militares, apenas comerciais. Outro aspecto importante é a localização da base: aproveitando a velocidade da rotação da Terra, próximo à linha do Equador, é possível tornar o lançamento entre 20% e 30% mais barato.

Pacheco chama a atenção para “termos intrigantes” do acordo, como a autorização, por parte dos EUA, para que o Brasil possa utilizar a base para fins comerciais. Para o professor, esse trecho do acordo causa estranheza, já que a base é brasileira e, portanto, o Brasil não precisaria de uma autorização para utilizá-la. Outra questão é o acesso à área: Pacheco comenta que, na prática, o controle será realizado pelos estadunidenses. “De certa maneira, o Brasil está cedendo um pouco da sua autonomia”, alerta o docente.

Por fim, Pacheco diz que o acordo assinado não especifica o valor que o Brasil deve receber pelo uso da base no Maranhão e que “não podemos deixar essa relação tão unilateral, achar que os americanos são nossos grandes amigos”.

Ouça a entrevista, na íntegra, no player acima.


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