John Horton Conway deixou contribuições importantes para a matemática

Paulo Nussenzveig comenta trabalho de matemático a respeito de pesquisas sobre teoria de grupos, topologia, teoria de números, geometria, álgebra e teoria combinatória dos jogos

A vida do matemático John Horton Conway, que morreu em abril devido a complicações associadas à covid-19, é o tema da coluna do físico Paulo Nussenzveig. “John Horton Conway nasceu em Liverpool, em 1937. Seu pai ganhava a vida jogando cartas e, posteriormente, trabalhou como técnico num laboratório de química de uma escola de ensino médio, onde estudaram George Harrison e Paul McCartney, conforme descrito em obituário publicado na revista Nature, em 23 de maio”, conta. “Conway foi extremamente polivalente, com contribuições importantes em vários ramos da matemática: teoria de grupos, análise, topologia, teoria de números, geometria, álgebra e teoria combinatória dos jogos.”

De acordo com o físico, “sua paixão por jogos de todos os tipos o inspirou a desenvolver algumas de suas grandes contribuições, como a formulação de um novo conjunto, dos números surreais, que adiciona outros números ao conjunto dos números reais”. Conway tornou-se popularmente conhecido ao inventar um jogo que foi apresentado numa coluna de Martin Gardner na revista Scientific American, em 1970. “É um jogo de ‘autômata celular’, chamado Jogo da Vida, com regras extremamente simples para simular a evolução de uma sociedade”, relata Nussenzveig.

Conway deu contribuições importantes à teoria dos nós, uma área da topologia em que se estuda como fios se enovelam, criando cruzamentos que não podem ser simplesmente desfeitos. “Esse estudo se estende a dimensões mais altas como, por exemplo, quatro dimensões. É difícil ‘visualizar’ objetos em mais de três dimensões e, por isso, é útil examinar fatias desses objetos em dimensões menores (como examinar as fatias de uma esfera tridimensional em duas dimensões)”, afirma o físico. “Em seus trabalhos, em 1970, Conway descobriu um nó com 11 cruzamentos, que intrigou matemáticos durante 50 anos sem que conseguissem demonstrar seu comportamento mediante ‘fatiamento’.”

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Ciência e Cientistas
A coluna Ciência e Cientistas, com o professor Paulo Nussenzveig, vai ao ar quinzenalmente toda quarta-feira às 10h50, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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