Inteligência emocional das crianças deve ser promovida no currículo escolar

Nakabashi lembra que já existem vários modelos desse tipo de aprendizagem social sendo aplicados em vários locais do mundo, mas ainda não no Brasil

Na coluna Reflexão Econômica desta semana, o professor Luciano Nakabashi fala sobre a inteligência emocional, uma habilidade que vem recebendo, segundo Nakabashi, cada vez mais investimento quando se trata de aprendizagem infantil. Só que esse tipo de investimento vem crescendo no mundo e o Brasil precisa correr para não ficar para trás, avalia o professor.

Para Nakabashi, em nosso país, o sistema e cultura do ensino, de maneira geral, ainda valoriza somente o aprendizado formal de disciplinas clássicas, como matemática, português, geografia, história, física, química, biologia. Disciplinas que o professor Nakabashi considera muito importantes, tanto no desenvolvimento cerebral e cognitivo das crianças quanto para seu futuro profissional. Mas lembra que outras habilidades “também acabam sendo muito importantes e, em certos momentos, até mais importantes que a própria capacidade cognitiva das crianças”.

O que Nakabashi acredita é que a psicologia avança nessa área e, juntamente com a economia, como ciências sociais, tenta entender e unir o aprendizado infantil ao futuro desse indivíduo que se forma para o mercado de trabalho. Essas ciências se preocupam “com o comportamento dos indivíduos e porque eles reagem de certas maneiras”.

É dessa forma, unindo psicologia e economia em ciências sociais, que Nakabashi defende que os gestores de políticas nacionais devem investir no desenvolvimento de “outras habilidades” infantis, introduzindo no currículo disciplinas que promovam a inteligência emocional nas crianças.

Segundo o professor esse investimento acaba também impactando positivamente no aprendizado das disciplinas acadêmicas clássicas. Mas o mais importante é que também se reverte em sucesso no mercado de trabalho do indivíduo que está sendo formado. É um aprendizado que cria bases para sucesso nos relacionamentos sociais, fazendo novas conexões de vida que, no final, “ajuda na conquista da própria felicidade da pessoa”.

Esses tipos de aprendizado, garante Nakabashi, estão relacionados com a questão da resiliência e do poder de conhecer suas próprias emoções, ao mesmo tempo que conhecem as emoções das outras pessoas com as quais se relacionam, “melhorando os relacionamentos inter e intrapessoais”.

Nakabashi lembra que já existem vários modelos desse tipo de aprendizagem social sendo aplicados em vários locais do mundo. O Brasil, segundo ele, precisa olhar essa experiência e começar a incorporar aos currículos escolares. Esse tipo de disciplina melhora a resiliência nas crianças para que aproveitem seu melhor potencial, tem efeito não só no aprendizado de disciplinas formais, mas também para o futuro profissional e para a felicidade futura da criança.

Ouça na íntegra a coluna Reflexão Econômica no player acima.


Reflexão Econômica
A coluna Reflexão Econômica, com o professor Luciano Nakabashi, vai ao ar toda quarta-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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