Instituições enfraquecidas contribuem para o aumento da corrupção

Neste cenário de pandemia, em que recursos públicos são desviados, ganha força e visibilidade a expressão “corrupção mata”

Nos estudos econômicos, a linha de pesquisa institucionalista ganha ainda mais importância e contribui para explicar o momento atual do Brasil e do mundo. Na coluna Reflexão Econômica desta semana o professor Luciano Nakabashi afirma que o arcabouço institucional é  fundamental não só na elaboração, mas também na aplicação e fiscalização das leis, ou seja,  determina as regras do jogo e têm papel de destaque  no desenvolvimento econômico e social de um País. “No Brasil, o sistema institucional ainda é fraco, apesar da Operação Lava Jato (conjunto de investigações em andamento pela Polícia Federal do Brasil), que foi algo inédito e positivo. Essa operação só terá efeito ao longo do tempo se for mantida e tem que ser uma coisa generalizada, para fazer com que as leis sejam válidas de fato.”

As leis, diz Nakabashi, são válidas muito mais para as pessoas que são menos favorecidas, pois, quanto mais riqueza, mais renda e concentração de poder político, menos as leis são válidas, o que propicia o comportamento de desviar recursos, uma vez que a probabilidade de punição é muito baixa. “A teoria institucionalista explica vários aspectos econômicos, mas também sociais, desse tipo de comportamento deplorável de desviar recursos públicos, especialmente num momento tão grave que o País vive”, avalia.

Sobre as consequências para o País, o professor lembra que são muito negativas, pois as próprias pessoas que praticam a corrupção, que têm a concentração de poder econômico e político, agem de forma a manter as instituições fracas, pois tiram proveito da situação, de forma lícita ou ilícita. “Para eles, quanto mais fracas forem as instituições, melhor, mais vão conseguir ganhar, e as consequências são péssimas para o País.”

Para o professor, nunca se viu na prática algo tão próximo da expressão “corrupção mata”, com tantas pessoas vindo a óbito,  devido à covid-19, e tantas outras vivendo uma situação de medo, sobretudo aquelas com renda mais baixa, com menor acesso ao sistema de saúde e com condições de vida e de moradia piores. “Tudo isso afeta a incidência da covid-19 e, neste momento, você vê pessoas sem escrúpulo nenhum desviando recursos e, certamente, como consequência, ainda mais mortes e um sistema de saúde ainda mais sobrecarregado. A gente hoje tem muito mais visível como a corrupção é nociva para o desenvolvimento econômico e social do País.”

Ouça a coluna Reflexão Econômica na íntegra no player acima.


Reflexão Econômica
A coluna Reflexão Econômica, com o professor Luciano Nakabashi, vai ao ar toda quarta-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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