Indicadores de julho confirmam retomada da atividade econômica no Brasil

A queda no PIB deve ficar em torno de 4%, índice muito abaixo do previsto, mas ainda muito alto para a economia brasileira

Os níveis de atividade econômica no Brasil em julho apontam para uma manutenção da retomada mais rápida do que era esperada. Os indicadores que mostram essa retomada são analisados pelo professor Luciano Nakabashi, na coluna Reflexão Econômica desta semana. “Quando olhamos alguns indicadores de julho, eles apontam para esse processo de retomada, ainda mais quando consideramos os períodos de março e abril de 2020, quando a estimativa de queda do PIB era em torno de 9% ou 10%.”

Atualmente, segundo o professor, a expectativa está em torno de menos quatro a menos cinco, uma melhora significativa em relação àquele período. E essas expectativas, de uma retração bem menor, estão relacionadas aos indicadores divulgados a partir de maio, mas principalmente os de junho e julho. Como exemplo, Nakabashi cita os indicadores do Google sobre locomoção das pessoas de casa para o trabalho, que aumentou de forma significativa. “Atualmente, está 1% abaixo em relação à média do período anterior à pandemia, o que é indicativo de retomada da atividade econômica.”

Outro indicativo citado pelo professor é a retração significativa da capacidade ociosa, principalmente da indústria. “Segundo a Fundação Getúlio Vargas, houve um avanço de 5.7 pontos porcentuais de junho para julho na utilização da capacidade instalada da indústria.” Já o movimento de veículos comerciais, diz Nakabashi, chegou a aumentar em julho de 2020 em relação a julho de 2019, um aumento de 6,1%, de acordo com o grupo CCR. “Esses indicadores dão um alento para o cenário muito negativo do início da pandemia.”

Sobre a expectativa em relação à manutenção do nível de atividade, o professor diz que vários analistas econômicos apontam para uma retomada em V, quando o PIB e o nível de atividade caem muito rapidamente, mas também há uma retomada muito rápida. “Mas acho que ainda é cedo para falar de retomada em V, pois esse problema da pandemia é complicado, mesmo uma retração de 4% na atividade econômica em 2020 é muito alta”, avalia.

E, mesmo essa retração sendo relacionada à pandemia, o professor lembra que existem os efeitos colaterais, como o aumento na taxa de desemprego, principalmente das pessoas não economicamente ativas, isto é, que não estão ocupadas nem procurando emprego, o que reflete um mercado de trabalho muito ruim. E, ainda, a existência de várias empresas, especialmente no setor de serviços em diferentes setores da economia, com dificuldades financeiras, ou em falência ou com pedido de recuperação judicial. “Esses fatores devem prolongar o período recessivo, o que significa que não seria uma retomada em V, talvez mais rápida do que esperávamos no início do ano, mas não tão rápida assim.”

Para o professor, o novo coronavírus vai continuar afetando o nível da atividade econômica enquanto estiver circulando e esse efeito pressiona os gastos do governo e, consequentemente, a dívida em relação ao PIB. “Para que a retomada aconteça de fato, tem que ter sustentabilidade das contas públicas, não só do governo federal, mas também estaduais e municipais. Para isso, também precisamos da trajetória de reformas, que já venho apontando ao longo das últimas semanas neste espaço”, conclui.

Ouça na íntegra a coluna Reflexão Econômica, com o professor Luciano Nakabashi, no player acima.


Reflexão Econômica
A coluna Reflexão Econômica, com o professor Luciano Nakabashi, vai ao ar toda quarta-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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