Futebol feminino em São Paulo cria redes de apoio mútuo

Antropóloga tenta entender como diferenças de gênero, raça, sexualidade e classe permeiam a prática do esporte

 

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O futebol feminino na cidade de São Paulo ainda sobrevive. E, principalmente, por causa de “redes diversas de afetividade entre as praticantes”, conforme estudo de doutorado Sou feita de chuva, sol e barro: O futebol de mulheres praticado na cidade de São Paulo, da antropóloga Mariane da Silva Pisani. A tese de doutorado foi defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Em entrevista aos Novos Cientistas, a antropóloga contou como os Marcadores Sociais da Diferença, descritos como categorias analíticas de gênero, raça, sexualidade e classe, permeiam a prática futebolística de mulheres. A pesquisa descreve os locais, a rotina dos times e a presença de um circuito de futebol de mulheres na cidade. Orientada pela professora Heloisa Buarque de Almeida, Mariane aplicou o método etnográfico por meio do uso de uma câmera fotográfica. “Acompanhei cinco equipes de futebol de mulheres da capital paulistana, em diversas regiões da cidade, e pude perceber como as mulheres que escolhem o futebol enquanto prática esportiva, seja na qualidade de prática amadora, profissional ou de lazer, estabelecem, entre si, redes de apoio e solidariedade”, contou.

As redes, por sua vez, orientam a circulação dessas jogadoras pela cidade, estabelecendo, a partir de diferentes formas de sociabilidade, dois tipos de circuito: o futebolístico e o afetivo-sexual. Na observação participante foi possível notar como algumas dessas redes ajudam-nas a lidar com cotidianos por vezes violentos, simbólica ou fisicamente. A tese analisa ainda como a prática esportiva, a partir dessas redes, estabelecem padrões corporais que dialogam com a escolha por parcerias afetivo-sexuais.


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