Força e coragem feminina podem abalar os alicerces da tirania na Bielorrússia

Para a colunista, com mulheres liderando a oposição e seguidas por milhares de pessoas, há grandes chances de a tirania de Alexander Lukashenko ser derrubada

Na coluna Conflito e Diálogo desta semana, Marília Fiorillo discute a força e a coragem feminina na Bielorrússia. A candidata à Presidência, Svetlana Tikhanovskaya, liderava as campanhas presidenciais até que, na apuração, obteve apenas 10% dos votos, enquanto o tirano Alexander Lukashenko – que governa o país há 26 anos obteve 80%. O resultado, divulgado no último dia 9 de agosto, gerou revolta na população e uma onda de protestos tem tomado conta do território, grande parte liderada por mulheres. Svetlana reivindica a vitória nas eleições.

Os manifestantes na Bielorrússia têm sofrido forte repressão do Estado e há, inclusive, casos de pessoas desaparecidas em que há suspeita de tortura, como afirma Marília: “Centenas de mulheres saíram ontem [13] e hoje (14) às ruas na Bielorrússia vestidas de branco e carregando flores, exigindo saber o paradeiro dos milhares de manifestantes que se levantaram contra a vitória, provavelmente fraudada, de Alexander Lukashenko, o tirano que governa o país há 26 anos. Mais de 6 mil pessoas estão desaparecidas, dois mortos já foram confirmados e filmagens mostram claramente momentos em que jovens eram carregados por homens mascarados para dentro de vans, onde eram espancados”.

Atualmente, a candidata da oposição, Svetlana Tikhanovskaya, que foi detida na noite anterior ao pleito, está refugiada na Lituânia. Marília informa que Svetlana é uma professora de 37 anos, que nunca foi ativista, mas decidiu engajar-se no lugar do marido, um youtuber de oposição preso em maio. “Apoiada pelos grupos oposicionistas, a campanha de Svetlana se pautou em duas propostas: libertar os presos políticos e instaurar um regime democrático. Ao lado de duas outras mulheres, Veronika Tsepkalo, cujo marido foi exilado, e Maria Kolesnikova, porta-voz do oposicionista Viktor Babariko, também preso, Svetlana compõe a troika da democracia, que despertou uma população há anos insatisfeita e a colocou massivamente nas ruas”, explica a colunista.

Marília finaliza ao informar que Lukashenko havia caçoado das pretensões de Svetlana, dizendo que uma ‘mulherzinha’ não tinha condições de capitanear o país, “mas com três delas liderando centenas nas ruas e seguidas por milhares de pessoas, há uma boa chance de que as mulheres da Bielorrússia consigam finalmente derrubar o tirano”.

Ouça a coluna na íntegra pelo player acima.


Conflito e Diálogo
A coluna Conflito e Diálogo, com a professora Marília Fiorillo, vai ao ar toda sexta-feira às 10h50, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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