Fechamento de redações e produção a distância são prejudiciais ao jornalismo

O colunista ainda comenta sobre a experiência americana, que envolve a colaboração entre jornais para fins de cobertura sobre determinadas questões, como as consequências da covid-19

Na coluna Horizontes do Jornalismo desta semana, o professor Carlos Eduardo Lins da Silva trata das iniciativas de colaboração entre jornalistas e veículos de imprensa, as quais têm se intensificado nos últimos tempos. “Acredito que, em razão da pandemia, ainda vá aumentar muito”, afirma o colunista. 

Ele comenta sobre uma experiência americana em que diversos jornais e veículos informativos de Estados americanos se reuniram em Nova Hampshire a fim de fazer cobertura conjunta sobre a questão da covid-19 e suas consequências. Eles têm, inclusive, conseguido ajudar a fortalecer políticas públicas e a questionar as autoridades do Estado sobre como têm se comportado em relação ao combate ao vírus. 

“Aqui mesmo no Brasil, nós vimos, e temos acompanhado com interesse e satisfação, a união de diversos jornais importantes, como Folha, Globo e portais como o UOL e o G1 para fazer o trabalho que o governo federal se recusou a fazer: contabilizar e totalizar os casos de morte e infecção com a covid-19”, aponta Lins da Silva sobre a experiência brasileira. “Os jornais, então, têm unido seus esforços, os seus recursos, cada dia mais reduzidos, para prestar serviço público.”

O colunista ainda aproveita para comentar sobre outra mudança que vem ocorrendo durante a pandemia, “dessa vez não tão positiva para o jornalismo”:  É o fechamento definitivo de redações físicas. Grande número de jornais e instituições jornalísticas está não só diminuindo o tamanho de suas redações, mas deixando-as em parte e até totalmente.  

“Um dos grandes icônicos jornais americanos, o Daily News, ícone do jornalismo americano, de Nova York, anunciou recentemente que vai fechar a sua redação, que fica em um prédio muito simbólico para o jornalismo, foi o prédio que inspirou o jornal The Daily Planet, da série Super-Homem”, exemplifica. 

O professor e jornalista lamenta essa situação, já que, para ele, jornalismo é, acima de tudo, um trabalho em equipe. “Parece-me que o isolamento a que os jornalistas estão sendo obrigados durante a pandemia, se ele se tornar uma coisa permanente, vai prejudicar a qualidade do produto, como já tem prejudicado, a meu ver.” 

Segundo Lins da Silva, os jornalistas precisam ter contato e conversar entre si, ler as matérias uns dos outros, dar opiniões, fazer correções, sugerir novos ângulos. “Não acredito que jornalismo feito individualmente, a distância, entre os colegas de redação, possa ter a mesma qualidade do que o jornalismo tradicionalmente teve com todos trabalhando juntos numa mesma redação”, completa. 

Ouça a íntegra da coluna no player.


Horizontes do Jornalismo
A coluna Horizontes do Jornalismo, com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, vai ao ar toda segunda-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção  do Jornal da USP e TV USP.

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