Expectativas para o PIB brasileiro melhoraram, mas índice ainda é baixo

Segundo Nakabashi, vários fatores contribuem para a melhora na expectativa da melhora do PIB, por isso é importante pensar a longo prazo e fazer as reformas necessárias

 09/06/2021 - Publicado há 4 meses

Na coluna Reflexão Econômica desta semana, o professor Luciano Nakabashi fala sobre a melhora nas expectativas do PIB brasileiro. O professor explica que a expectativa para 2021 era de 3,5% e agora está em torno de 5%, “mas ainda é um índice baixo”. Se o PIB se mantivesse no mesmo patamar do final de 2020, diz o professor, cresceríamos 3,5%, porque a economia se recuperou ao longo daquele ano. Mas, segundo Nakabashi, um crescimento de 5% vai dar apenas 1,5%, em relação ao final do ano passado, o que mostra um crescimento fraco.

O economista lista os fatores que afetaram o desempenho da economia brasileira, como os menores efeitos da segunda onda da pandemia. Para o economista, as pessoas se isolaram menos e isso pode causar uma terceira onda, “mas as pessoas estão aprendendo a conviver com o vírus, apesar da gravidade, e já conseguem realizar suas atividades com mais segurança”.  Lembra, ainda, que questões externas, como a forte retomada econômica dos Estados Unidos e da China, com aumento da demanda por produtos brasileiros, principalmente as commodities, também influenciaram esse aumento nas expectativas do PIB.

Outro fator apontado pelo professor é a questão fiscal, com o aumento da inflação. “Os juros atuais da dívida do governo acabam ajudando essa dinâmica da relação dívida/PIB. Inflação maior reduz a relação dívida/PIB”. Mas o professor alerta que “essa relação é temporária, pois, se a inflação continua, quem compra títulos vai exigir juros maiores e esse efeito acaba sumindo, pois a inflação maior acaba sendo ruim para a economia”.

Nakabashi enfatiza a necessidade  das reformas, principalmente para desvincular gastos de receitas e levar a uma maior flexibilidade do orçamento, com corte de gastos. “O que vai aumentar o crescimento da economia brasileira é a produtividade, que pode levar à criação de empregos, diminuição da pobreza e da desigualdade. As pessoas em vulnerabilidade social precisam receber suporte e qualificação, temos que pensar a longo prazo, pois em essência nada mudou no País, estamos aproveitando os ventos favoráveis do resto do mundo, mas precisamos fazer a lição de casa.”


Reflexão Econômica
A coluna Reflexão Econômica, com o professor Luciano Nakabashi, vai ao ar toda quarta-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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