Em Mianmar, povo sai às ruas e pede desculpas pelo massacre da etnia rohingya

A professora Marília Fiorillo comemora a iniciativa, que pode sinalizar novos tempos no país: “A sociedade birmanesa começa a desejar não só uma democracia, mas uma democracia inclusiva”

Após o golpe militar em Mianmar, a população saiu às ruas, num movimento de desobediência civil que, segundo a professora Marília Fiorillo, jamais foi visto por lá. O fato é que centenas de milhares de pessoas foram às ruas nas principais cidades, mas de forma pacífica, “em que as táticas empregadas fala muito sobre a geração que lidera esse movimento: painéis de arte, pichações, adesivos colocados em toda parte, gente deitada nas linhas de trem e, principalmente, a tática do carro quebrado”.  Uma mobilização inesperada, que rendeu a prisão de cerca de 500 pessoas.

“A grande novidade, a maior delas, foram os cartazes pedindo desculpas pelo massacre dos rohingya”, sublinha Marília, não sem antes lembrar que a solidariedade com as minorias é completamente inédita naquele país. Ela acrescenta que o general que comandou o golpe prometeu na TV repatriar os rohingya para uma província, mas, ao mesmo tempo, a colunista lembra que os militares que promoveram o massacre são acusados de genocídio, razão pela qual “os representantes dos rohingya no exílio consideram esse aceno uma armadilha e temem que a repatriação seja apenas para chinês ver.”

Por fim, conclui: “Seria temerário prever a evolução dos acontecimentos, mas essa iniciativa dos jovens para mudar a opinião pública sobre as invisíveis minorias, dando-lhes cidadania, é talvez o fato mais importante dessas manifestações. A sociedade birmanesa começa a desejar não só uma democracia, mas uma democracia inclusiva”.


Conflito e Diálogo
A coluna Conflito e Diálogo, com a professora Marília Fiorillo, vai ao ar toda sexta-feira às 10h50, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

.

 


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.