Dificuldades na cobertura de protestos nos EUA retomam debates sobre liberdade de imprensa

O professor Carlos Eduardo Lins da Silva analisa o papel da imprensa dentro da cobertura dos acontecimentos na sociedade

 26/04/2021 - Publicado há 7 meses

Nos Estados Unidos, Daunte Wright, um jovem negro de 20 anos, foi morto por um policial no Estado de Minnesota. A polícia da região afirmou que o disparo foi acidental e foi feito após uma abordagem a Wright. Com isso, novos protestos contra o racismo tomaram conta das ruas. Nesse tipo de situação, um outro ingrediente também acaba ganhando relevância: a imprensa. Tal elemento não escapa de alguns obstáculos para cumprir sua função de cobrir os acontecimentos da sociedade.

“Esse é um desdobramento de toda a tensão racial que existe nos Estados Unidos e que explodiu nas ruas nos últimos anos, principalmente depois da posse do ex-presidente [Donald] Trump, que instigou muitas das contradições raciais que existem nos Estados Unidos”, analisa o jornalista e professor Carlos Eduardo Lins da Silva em sua coluna Horizontes do Jornalismo a respeito dos protestos no país norte-americano.

Na cobertura dessas manifestações, o professor Lins da Silva lembra que jornalistas de grupos minoritários, como negros e estrangeiros, acabam sendo as maiores vítimas de violência, inclusive da polícia, como ocorreu em Minnesota: “Um jornalista negro foi cercado e hostilizado pela polícia e não conseguiu mostrar, porque ele não tinha, um documento de identidade profissional com algum veículo jornalístico, mas ele era um freelancer que estava trabalhando efetivamente para o The New York Times“.

Ao mesmo tempo, porém, que ser jornalista significa muitas vezes ser alvo de perseguições, aqueles que não estão no exercício da profissão ainda podem se valer do jornalismo para legitimar desvios à liberdade. Na invasão ao Capitólio por seguidores do ex-presidente Trump, muitos dos diretamente envolvidos nos ataques alegavam ser jornalistas e estar cobrindo os eventos, mesmo quando eram vistos em confrontos com a polícia e em momentos de violência.

Com isso, o professor Lins da Silva analisa: “Quem é jornalista e quem não é jornalista? Essa é uma das grandes discussões para a profissão neste século, porque, dependendo da interpretação que se der a como se identifica o jornalista, você muda alguns princípios básicos como o de liberdade de imprensa, como a possibilidade de um verdadeiro jornalista poder ter garantidos os seus direitos de modo que possa informar ao público e expressar a sua opinião legitimamente”.


Horizontes do Jornalismo
A coluna Horizontes do Jornalismo, com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, vai ao ar toda segunda-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção  do Jornal da USP e TV USP.

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