Desigualdade na periferia abre espaço para governo miliciano

A colunista afirma que a manutenção da desigualdade na periferia abre brechas para a criação de grupos armados e de facções

A professora Raquel Rolnik, nesta edição, analisa o motim da Polícia Militar no Ceará. A origem dessa história é muito mais profunda e estrutural, segundo ela. “O que acontece é que foi montada uma ‘bomba relógio’ não só em Fortaleza, mas também em outras grandes cidades do País, que mistura, de um lado, uma política urbana muito marcada pela desigualdade territorial e a segregação racista, demarcando os bairros populares com construções informais, irregulares e conjuntos habitacionais, todos inseridos nas periferias como um verdadeiro estado de exceção, onde a política geral da cidade se vale de uma outra política diferente dessa. Junto com isso, monta-se uma estrutura de segurança nesses bairros dentro de uma lógica de muita violência estatal e a falta de postura do Estado, criando um urbanismo militarizado”, ressalta a professora.

A manutenção da desigualdade na periferia abre brechas para a criação de grupos armados e de facções. Rolnik alerta para o perigo de se montar uma realidade militarizada ou paramilitarizada, ou seja, um modo miliciano de se governar. “Essa lógica começa com a configuração deste território de exceção, da condominialização, da super segurança privada em um pedaço da cidade, da corrupção local, fazendo emergir grupos de extermínio, com exércitos privados”.

Ouça no link acima a íntegra da coluna Cidade para Todos.


Cidade para Todos
A coluna Cidade para Todos, com a professora Raquel Rolnik, vai ao ar toda quinta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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