Demissão de Moro supera noticiário sobre casos de mortes de covid-19

Para Álvaro Moisés, a demissão do ministro da Justiça vai abrir uma crise que terá consequências não apenas imediatas, mas a longo prazo

 

Na última sexta-feira, o grande destaque nos noticiários não foi como enfrentar o coronavírus, cujo número de casos e de mortes vem crescendo no País, mas, sim, o anúncio da demissão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. O ex-juiz federal deixou a pasta depois de um ano e quatro meses no governo de Jair Bolsonaro. O motivo para a saída foi a decisão do presidente de trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, indicado para o cargo por Sérgio Moro. Quando foi feita sua escolha, o presidente Bolsonaro garantiu a Sérgio Moro que ele teria autonomia para escolher quem quisesse e carta branca para atuar. Mas não foi isso o que aconteceu.

O presidente Jair Bolsonaro não apresentou um motivo específico para demitir Maurício Valeixo, também não partiu do ex-ministro Moro o “pedido” para a demissão do diretor-geral da Polícia Federal, inclusive com sua assinatura em documento, como foi apresentado no Diário Oficial. O presidente da República admitiu que a mudança era uma interferência política porque pretendia ter na Polícia Federal alguém que lhe desse informações sobre investigações e inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal, o que, justificou Sérgio Moro, não seria uma atribuição da Polícia Federal. Foi esse um dos grandes pontos que, em um certo sentido, suscitaram a saída do até então ministro da Justiça.

Esses últimos acontecimentos vão “abrir uma crise que, provavelmente, vão ter um efeito e consequências não apenas agora, imediatamente, mas até as eleições de 2022”, lembra o professor José Álvaro Moisés. Acompanhe o comentário, na íntegra, pelo link acima.


Qualidade da Democracia
A coluna A Qualidade da Democracia, com o professor José Álvaro Moisés, vai ao ar toda terça-feria às 8h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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