Vírus podem ajudar a ciência em novos tratamentos contra doenças

Pesquisadores do Centro de Estudos sobre o Genoma e Células-Tronco da USP estão em busca de cães com tumores cerebrais para dar prosseguimento a pesquisas com o zika vírus

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Vírus são seres muito pequenos, que precisam de um hospedeiro para se multiplicar e infectar outros organismos. Apesar de serem associados a doenças, a medicina tem se utilizado deles para diversos tipos de tratamento.

Nesta edição de Decodificando o DNA, a professora Mayana Zatz fala sobre o uso do adenovírus associado no tratamento da amiotrofia espinhal (AME). Os pacientes com AME possuem uma mutação em um gene que codifica uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios, aqueles responsáveis pelos nossos movimentos e, por isso, não têm força para sustentar a cabeça.

Por provocar uma reação imune muito fraca, o adenovírus está sendo usado para tratar amiotrofia espinhal. A terapia gênica foi aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration), a agência reguladora do governo norte-americano.

Um outro tipo de abordagem faz do zika vírus um aliado. Carolina Kaid, pesquisadora do Centro de Estudos sobre o Genoma e Células-Tronco da USP (CEGH-CEL), mostrou que o zika destrói tumores cerebrais humanos quando injetados em camundongos. Em 1/3 dos animais, os tumores desapareceram por completo, inclusive as metástases.

Infelizmente, os trabalhos foram interrompidos durante a pandemia, mas a boa notícia é que o CEGH-CEL está estabelecendo novas colaborações para retomar a pesquisa. Mayana Zatz ressalta que, se o tratamento com zika em novos cães confirmar os resultados anteriores, os pesquisadores podem iniciar os experimentos em humanos.

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Decodificando o DNA
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente toda quarta-feira às 10h50, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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