Cultura do cancelamento pode denotar fanatismo perigoso e limitador

Para Luli Radfahrer, a cultura do cancelamento pode ser algo extremamente perigoso, pois o julgamento é sumário, sem chances de defesa

Antigos costumes acabam ficando para trás, conforme a sociedade vai evoluindo, e a busca pela imagem de perfeição perante os outros, seja virtualmente ou pessoalmente, faz com que muitas pessoas se tornem justiceiras, em combate a pensamentos retrógrados. Na internet, essa justiça social tem nome: cultura do cancelamento. Mas o que isso significa de fato?

“É uma forma de ostracismo social através da mídia social”, comenta o professor Luli Radfahrer em sua coluna de hoje (4), ao explicar o processo de cancelamento, que vai desde quando o usuário de rede social presencia um ato que ele considera errado e, a partir disso, tenta de algumas formas cancelar a pessoa, fazer com que outras pessoas parem de segui-la, não a acompanhem mais. Para Radfahrer, essa atitude faz parte de uma vigilância cultural, o que pode ser perigoso, pois pode denotar fanatismo, seja religioso, político ou de outro aspecto. O resultado pode ser um julgamento sumário, sem chance de defesa, pois a pessoa já é condenada e executada.       

“Evite cancelar os outros, evite entrar nessa onda de sair cancelando, porque isso acaba prendendo a pessoa em uma bolha. Uma das coisas mais ricas de qualquer ambiente é exatamente o convívio com o diferente, com aquele que pensa diferente de você“, conclui o colunista, lembrando que qualquer um pode pisar na bola e falar algo sem pensar.

Ouça no player acima a íntegra da coluna Datacracia.


Datacracia
A coluna Datacracia, com o professor Luli Radfahrer, vai ao ar toda sexta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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