Critérios de reabertura da cidade devem incluir o acesso a parques

Para Nabil Bonduki, surpreende que comércios de rua e shoppings estejam sendo abertos, enquanto espaços ao ar livre ainda não

Nesta edição de Cotidiano na Metrópole, o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, repercute artigo que sugere um risco aumentado de transmissão do novo coronavírus em ambientes fechados. “Tudo isso nos surpreende, porque a gente viu o governo do Estado autorizar a abertura do comércio, enquanto os parques estão fechados”, compara.

A Prefeitura da cidade São Paulo autorizou o funcionamento do comércio de rua, shoppings centers, imobiliárias e concessionárias de veículos no último dia 11. A medida corresponde à fase dois (laranja) do plano de retomada econômica do governo do Estado, que prevê cinco estágios até a reabertura total dos estabelecimentos. Mas, na fase atual, a Prefeitura não incluiu o acesso a parques.

Para Bonduki, a Prefeitura já deveria ter adotado medidas seguras de reabertura dos parques da cidade. O especialista apoia sua opinião em um artigo do imunologista Erin Bromage, professor associado de Biologia da Universidade de Massachusetts Dartmouth, no qual afirma que há muito menos risco em uma caminhada ao ar livre do que em espaços fechados. Bromage indica que os locais com maior probabilidade de surtos são prisões, cerimônias religiosas e locais de trabalho, como instalações de acondicionamento de carne e centrais de atendimento.

Assim como há protocolos específicos para o funcionamento desses estabelecimentos na fase dois da reabertura, o urbanista defende que também haja um estudo que calcule a quantidade apropriada de pessoas que estejam no local simultaneamente. Estabelecer um aplicativo que reserve horários de uso, controle nas entradas e regras que evitem o contato entre as pessoas são algumas das soluções propostas por ele. “O importante é correr, caminhar, andar de bicicleta”, comenta, especialmente para as pessoas com condições físicas e emocionais em que a atividade física é essencial na manutenção da saúde.

“Muita gente fica andando no shopping ou nas ruas, onde a aglomeração pode ser muito maior e é muito mais difícil de controlar”, aponta.

Ouça na íntegra no áudio acima.


Cotidiano na Metrópole
A coluna Cotidiano na Metrópole, com o professor Nabil Bonduki, vai ao ar toda quinta-feira às 10h00, na Rádio  USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e  TV USP.

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