“Copa América e Olimpíada são riscos para a saúde pública” 

É o que afirma o professor Pedro Dallari em sua coluna desta semana, lembrando também dos interesses econômicos ligados aos eventos 

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A polêmica Copa América no Brasil, marcada para começar no próximo dia 13, e a Olimpíada de Tóquio, no mês que vem, são eventos esportivos agendados em meio à pandemia de covid-19, que não parece arrefecer. E isso é muito preocupante, como afirma o professor Pedro Dallari em sua coluna desta semana. “São dois eventos esportivos muito tradicionais, mas que estão imersos em muita polêmica. Eles reúnem sempre um grande número de pessoas, e não só atletas, mas também funcionários de apoio, os profissionais de imprensa que fazem a cobertura e mesmo o público. Mesmo que não haja presença nos estádios, é comum a reunião de pessoas ao redor dos locais onde os jogos ocorrem”, lembra o professor. “Esse grande número de pessoas, vindas de países diferentes, acaba favorecendo a propagação do coronavírus, o que é péssimo neste contexto de crise sanitária global”, afirma Dallari. “Grandes eventos esportivos como esses simbolizam a complexidade e mesmo as contradições do mundo globalizado e são frutos do processo de integração internacional que se desenvolveu principalmente a partir do final do século 19″, contextualiza ele.

Segundo Dallari, há um grande aspecto positivo em eventos como a Copa América e as Olimpíadas, que é expressar “valores positivos da globalização”. “A ideia da integração entre os povos e a perspectiva da inclusão social, por exemplo. Lembro que nas últimas edições dos Jogos Olímpicos tem havido a presença de equipes formadas por refugiados. E a organização dos Jogos Paralímpicos também aponta para a inclusão”, afirma o colunista. “Mas há a outra face da moeda da globalização, que é a forte presença de interesses econômicos. Com a incorporação desses eventos esportivos à indústria do entretenimento, grandes somas passaram a ser investidas no patrocínio por empresas multinacionais, fazendo com que os jogos ganhassem uma relevância econômica muito significativa”, pontua o professor. “A pandemia da covid-19, evidentemente, indica a conveniência do cancelamento. O Japão só vacinou 5% de sua população com duas doses de vacina contra a covid-19. E, no Brasil, é evidente o descontrole no combate à pandemia. Até mesmo em respeito aos valores humanistas, que presidem as realizações desses eventos, eles deveriam ser cancelados, mas não é isso que está se vislumbrando e a prevalência dos interesses econômicos fará com que eles se realizem, com claro risco para a saúde pública.”


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