Comparação entre gêmeos pode auxiliar na compreensão da covid-19

Relação entre a genética humana e a doença, de acordo com Mayana Zatz, pode ser melhor compreendida a partir da análise de gêmeos monozigóticos e dizigóticos

Comparar a ação da covid-19 em gêmeos idênticos, resultantes de um único óvulo fertilizado, e fraternos, frutos da união entre dois óvulos e dois espermatozoides, pode ajudar a compreender a relação entre a genética humana e a variabilidade clínica da covid-19. A professora Mayana Zatz comenta a questão em sua coluna Decodificando o DNA de hoje (11).

Enquanto gêmeos monozigóticos, também conhecidos como idênticos, têm o mesmo DNA, os dizigóticos, chamados fraternos, têm em comum apenas 50% do seu DNA, a mesma porcentagem que irmãos não gêmeos possuem. Essa variação, de acordo com a professora, possibilita estudar o quanto uma característica é dependente dos genes ou do ambiente:

“Caso dependa só do ambiente, a expectativa é que gêmeos monozigóticos e dizigóticos sejam igualmente afetados, isso já foi demonstrado, por exemplo, no sarampo. Já caso dependa de fatores genéticos espera-se uma maior concordância entre os idênticos”.

Essa base foi utilizada pelo grupo de pesquisa de Mayana Zatz para estudar a incidência da microcefalia em bebês. Foram analisados aqueles que nasceram com a doença por terem sido expostos ao zika vírus durante a gravidez; e, na época, foi encontrada uma concordância maior em gêmeos monozigóticos, o que apontava uma contribuição genética para a possibilidade de desenvolver a moléstia.

Partindo dessa premissa e do estudo já realizado, atualmente a professora pesquisa a relação entre a genética e a covid-19: “Para descobrir a influência da genética sobre a variabilidade clínica da covid-19, estamos comparando a concordância entre gêmeos monozigóticos e dizigóticos vivendo no mesmo ambiente”, completa Mayana Zatz.

Ouça a íntegra no link cima.


Decodificando o DNA
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente toda quarta-feira às 10h50, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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