Como a arte pode oferecer cores nesta pandemia

O colunista Martin Grossmann contrapõe o pânico do coronavírus com a criatividade da sinestesia

Diante do coronavírus, que parece anestesiar a todos, o professor Martin Grossmann, em sua coluna Na Cultura o Centro Está em Toda Parte, da Rádio USP (clique e ouça o player acima), contrapõe o pânico atual com as cores, sons e sensações da sinestesia, ou seja, uma mistura dos sentidos. “Vamos tratar da múltipla fruição da sinestesia, uma palavra de origem grega que expressa a reunião de diferentes sensações”, observa. “Do ponto de vista neurológico, há casos de indivíduos que veem cores ao ouvirem determinados sons.”
Grossmann cita o caso do artista inglês Neil Harbisson, 35 anos, portador de uma acromatopsia, que vê o mundo em preto e branco. “Ele nasceu completamente daltônico, mas, graças a um dispositivo tecnológico preso na sua cabeça, Harbisson é capaz de transformar cores em frequências audíveis. Em vez de ver o mundo em escala cinza, Neil Harbisson pode ver uma sinfonia de cores e até ouvir pessoas, pinturas, entre tantas outras imagens que esse equipamento traduz.”
Grossmann observa também sobre a sinestesia na arte como figura de linguagem. “É o cruzamento dos sentidos, a qualidade de um sentido atribuído a outro, quando as sensações e sentidos se misturam. Este é um recurso que torna, no caso dos poetas ou escritores, o texto mais expressivo.”
O professor conta que, neste período de confinamento, tem procurado desenvolver a sinestesia com seus alunos nas aulas on-line. “Essa experiência vem do desafio de planejar aulas virtuais, que são curadorias de conteúdo multimídia para serem acessadas neste arquivo de escala mundial, disponibilizado pela internet. Junto com os alunos estamos vendo filmes, documentários, passeando virtualmente por distintos espaços e localidades em diferentes partes do planeta.”
Outra experiência que o professor destaca é a do som aliado à imagem. Destaca, entre tantas postagens, o videoclipe que reúne os cantores e compositores Milton Nascimento e Criolo feat e o pianista Amaro Freitas em Não existe amor em SP.
“Nesse videoclipe, a cidade de São Paulo é retratada em branco e preto, vazia e desumanizada”, comenta. “São experiências que fazem repensar a nossa existência e, principalmente, a relação com essa modernidade funcional movida pelo progresso.”

Ouça no link acima a íntegra da coluna Na Cultura o Centro Está em Toda Parte.


Na Cultura, o Centro está em Toda Parte
A coluna Na Cultura o Centro está em Toda Parte, com o professor Martin Grossmann, vai ao ar toda quarta-feira às 9h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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