Feito científico pode levar a computador com altíssima velocidade

Demonstração da “supremacia computacional quântica” envolveu mais de 70 cientistas e engenheiros, inclusive do Brasil

As expectativas para o futuro sobre a “supremacia computacional quântica”, resultado do trabalho de um grupo de mais de 70 cientistas e engenheiros (inclusive o brasileiro Fernando Brandão), com grandes investimentos públicos e privados, é o tema da coluna do físico Paulo Nussenzveig. “Desde os anos 1990 e, principalmente, ao longo da década passada, houve grande investimento em computação quântica, em buscar situações em que um computador quântico poderia resolver problemas de modo muito mais eficiente que os computadores atuais”, conta. “Mas o desenvolvimento desses processadores precisa superar grandes dificuldades. Assim, o entusiasmo inicial arrefeceu um pouco, pois o progresso é lento.”

O físico aponta que a comunidade científica precisava de desafios para “entregar” algo palpável, além das promessas. “Em 2012, John Preskill cunhou o termo ‘supremacia quântica’ (ou ‘supremacia computacional quântica’) como desafio para que se produzisse um computador quântico capaz de realizar uma tarefa que seria inviável nos melhores computadores clássicos (que levariam tempo demais para o processamento)”, afirma. “Vários grupos de pesquisadores entraram nessa “corrida” e havia uma estimativa que um processador com mais de 50 bits quânticos (ou qubits) seria suficiente.”

Nussenzveig relata que a empresa Google investiu num processador com 53 qubits supercondutores, sob a liderança do físico John Martinis, envolvendo a simulação de um sistema quântico, através de algoritmos, para execução de portas lógicas quânticas aleatórias. “O experimento é uma impressionante combinação de excelente ciência teórica de computação, com física experimental refinada e engenharia de última geração”, diz. “Os pesquisadores compararam o processamento na máquina quântica com o melhor supercomputador da atualidade, o Summit da IBM, envolvendo bilhões de transistores e recursos muito mais vastos. O processador quântico realiza em pouco mais de três minutos aquilo que o Summit levaria 10 mil anos para fazer, segundo os autores do artigo. A IBM disse que, com certas otimizações, poderia realizar a tarefa em dois dias e meio.”

Ouça no link acima a íntegra da coluna Ciência e Cientistas.


Ciência e Cientistas
A coluna Ciência e Cientistas, com o professor Paulo Nussenzveig, vai ao ar quinzenalmente toda quarta-feira às 10h50, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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