Colunista aponta impacto da pandemia no aumento do trabalho infantil 

Pedro Dallari comenta relatório da OIT e da Unicef, que mostra que há 160 milhões de crianças e jovens nesse tipo de trabalho

 23/06/2021 - Publicado há 4 meses
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“Na semana em que se chegou ao número estarrecedor de 500 mil mortos pela covid-19 no Brasil, cabe uma reflexão sobre os desdobramentos dessa situação trágica e as perspectivas para o futuro.” É dessa forma que o professor Pedro Dallari abre sua coluna desta semana, apontando uma nota especial que deve ser dedicada à proteção das crianças diante da situação ainda muito grave do trabalho infantil em todo o mundo. “A Organização Internacional do Trabalho, OIT, e a Unicef acabam de divulgar um relatório, disponibilizado no último dia 10, que aborda justamente a situação do trabalho infantil no mundo – com dados muito atualizados, de 2020 – e as tendências do que pode acontecer e do que deve ser feito para minimizar essa situação terrível”, aponta Dallari. “É importante lembrar que a OIT e a Unicef são as responsáveis pelo monitoramento da adoção de medidas que, até 2025, gerem o fim do trabalho infantil”, afirma o colunista.

Mas, segundo ele, o relatório das duas entidades não é muito positivo. “Pelo contrário. O relatório aponta uma piora substancial no quadro do trabalho infantil em alguns lugares do mundo e indica que, desde 2016, não há mais evolução, com o número se mantendo estável em cerca de 160 milhões de crianças e jovens de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil, dos quais 80 milhões em trabalho perigoso”, relata o professor. “O quadro na América Latina se estabilizou, com cerca de 6% de crianças e jovens em situação de trabalho infantil, o que é um número bastante grande, mas que é melhor do que o da África subsaariana, que é o pior de todas as regiões do globo”, afirma Dallari. “A maior parte das crianças e jovens em situação de trabalho infantil trabalha em sua própria unidade familiar e o setor agrícola é o que contempla a maior porcentagem desse tipo de trabalho em todo o mundo. O dado alarmante final do relatório é que, se não forem adotadas medidas para mitigar esses números, poderá haver uma elevação muito substanciosa entre 2020 e 2022. O número de 160 milhões do ano passado pode chegar a 170 milhões se houver o incremento da pobreza, e isso está evidente, segundo indicadores do mundo todo, podendo mesmo chegar a 200 milhões de crianças e jovens de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil, se a precariedade ainda for maior com as medidas de austeridade maior que muitos países vêm adotando”, alerta o colunista.


Globalização e Cidadania
A coluna Globalização e Cidadania, com o professor Pedro Dallari, vai ao ar toda quarta-feiraa às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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