Na edição desta coluna, Luciano Nakabashi fala sobre a piora no desempenho da economia nacional. “Quando a gente olha essas expectativas, existem fatores externos e fatores internos; quando a gente olha os externos, são sobretudo relacionados à questão do juros da economia americana, a expectativa que os juros permaneçam altos, talvez subindo ainda mais, e permaneçam altos por um longo tempo. Tem a questão da economia chinesa, algumas incertezas em relação ao desempenho da economia chinesa para os próximos anos. Tem a questão do preço do petróleo, que tem afetado também um pouco, e uma economia mundial em que ainda existe uma incerteza em relação a importantes economias, como é que elas vão estar desempenhando em termos econômicos de crescimento e inflação, mas sobretudo o problema ali nos Estados Unidos.
Internamente, o principal é a questão fiscal, esse tem sido o principal calcanhar de Aquiles nos últimos anos. Num primeiro momento, as expectativas tinha melhorado, mas com a queda de arrecadação do governo federal e o aumento dos gastos ao longo de 2023 […] isso tem jogado dúvidas em relação ao desempenho da economia brasileira. Em relação à parte fiscal, quanto que o governo vai conseguir de fato controlar o fiscal, isso gera incertezas na economia e afeta também os juros no Brasil e acaba gerando esse ambiente com mais pessimismo”, diz o colunista.
Mas o que poderia ser feito em relação à questão fiscal ? “Quando a gente olha essa questão fiscal, o governo fez uma proposta de zerar o déficit primário e depois começar a gerar superávit baseado no aumento de receitas, mas existem estudos na literatura que mostram que o melhor ajuste é via redução dos gastos, controle dos gastos do governo. E existe uma certa dúvida em relação à própria capacidade do governo gerar esse aumento da receita sem aumentar a carga tributária, pensando que a carga tributária no Brasil já é bastante elevada e que aumentos adicionais seriam nocivos para o desempenho da economia brasileira, porque o Estado começa a ficar muito pesado, acaba tendo que subtrair muitos recursos do setor privado.
O ajuste tem que focar mais numa redução dos gastos, só que o grande problema é que os gastos são vinculados para educação, para a saúde, para alguns benefícios […] os juros também acabam sendo gastos obrigatórios, então, uma boa parte dos gastos já está comprometida, mais de 90% dos gastos, o governo não consegue simplesmente reduzir os gastos, ele tem que ir para uma agenda de reformas, de desvincular os gastos que ele tem das receitas. E a parte previdenciária, o Brasil, quando a gente compara com outros países, é uma exceção, a gente gastar muito com Previdência, outra reforma da Previdência já tem que ser pensada. A gente tem que começar a pensar em uma outra reforma previdenciária para ajudar a controlar os gastos da economia brasileira.”
Reflexão Econômica
A coluna Reflexão Econômica, com o professor Luciano Nakabashi, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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