Colunista adverte que não existe neutralidade de carbono

Estudos recentes mostram que das alegadas compensações somente 5% estariam, de fato, desviando as emissões para a atmosfera

 05/08/2021 - Publicado há 1 mês

Expressões como neutralidade de carbono, carbono neutro ou Net Zero têm sido usadas para propagar a ideia de que seria possível compensar as emissões de dióxido de carbono (CO2). Segundo o professor José Eli da Veiga, há duas formas para a “compensação”. Uma seria a natural, pois plantar florestas ajudaria a remover carbono; ou então aplicar novos métodos tecnológicos que permitiriam, de fato, sequestrar o carbono da atmosfera. A ideia de compensar as emissões, quando surgiu, foi positiva porque muitos países eram reticentes em aceitar a ideia de cortes das emissões. “Mas chega a ser um absurdo se falar em Net Zero”, adverte o professor José Eli da Veiga.

O fato é que, quanto mais a ciência avançou nessa discussão mais se percebeu um esmorecimento dos cortes de emissões. “E as dúvidas vão se acumulando sobre as reais possibilidades de compensações”, diz Eli da Veiga. Segundo um artigo recente, publicado pela Bloomberg, menos de 5% das compensações conseguem remover o dióxido de carbono da atmosfera. Outro artigo, veiculado na revista Nature, demonstrou que não existe linearidade no sistema climático. “Na verdade, uma tonelada de carbono emitido não é igual a uma tonelada de carbono removido”, cita Eli da Veiga, destacando que há mais informações em seu artigo, publicado no jornal Valor Econômico, no dia 30 de julho, intitulado Não existe Net Zero.


Sustentáculos
A coluna Sustentáculos, com o professor José Eli da Veiga, vai ao ar toda quinta-feira às 8h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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