Cobertura das eleições norte-americanas está mais crítica do que em 2016

Para Lins da Silva, embora veículos de comunicação norte-americanos estejam mais críticos em sua divulgação, ainda servem de instrumento de conexão entre o presidente e o seu público

 02/11/2020 - Publicado há 11 meses  Atualizado: 03/11/2020 as 11:13

A partir desta terça-feira, (3), os primeiros Estados começam a fechar as urnas nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Na coluna desta semana, Carlos Eduardo Lins da Silva avalia que a cobertura e o posicionamento da imprensa norte-americana nestas eleições tiveram progressos com relação a 2016, quando “a maior parte da imprensa americana acabou por contribuir para a divulgação do nome e das ideias do então candidato Donald Trump”. Para Lins da Silva, a imprensa americana não entrou nos golpes que o presidente Trump tentou aplicar na opinião pública e nos veículos jornalísticos, como, por exemplo, sugerindo ao The Wall Street Journal que publicasse matéria a respeito de “supostos e alegados crimes de corrupção praticados pelo filho de seu oponente, Joe Biden”, que, segundo o colunista, carecia de dados e evidências. 

Por outro lado, o colunista avalia que a imprensa em grande parte oferece muito espaço para o presidente Trump, mas não tanto quanto em 2016, quando quase todos os comícios do candidato eram transmitidos ao vivo e na íntegra por redes de televisão como a CNN. “O fato é que, nestes quatro anos, todo o estilo ultrajante, debochado, completamente fora dos padrões tradicionais da política americana do presidente Trump acabou cansando tanto o público quanto os veículos de comunicação. Então, em suma, a cobertura da imprensa melhorou em relação a 2016, mas ainda acabou servindo de instrumento de conexão entre o presidente e o seu público, que poderia ser mais crítico do que foi.”

Do lado de cá, a imprensa brasileira, embora com limitações em vista da pandemia, fez um bom trabalho na cobertura das eleições americanas. Para Lins da Silva, os veículos têm se esforçado para oferecer didatismo nas reportagens sobre o tema, já que “é muito difícil para um cidadão brasileiro, e até para um cidadão americano, entender a complexidade do colégio eleitoral”.

Ouça no player acima a íntegra da coluna Horizontes do Jornalismo


Horizontes do Jornalismo
A coluna Horizontes do Jornalismo, com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, vai ao ar toda segunda-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção  do Jornal da USP e TV USP.

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