Celulares estão se tornando máquinas de vigilância

Segundo Radfahrer, vigilância feita por aplicativos pode acabar com a privacidade do indivíduo, inclusive comercializando perfis de usuários

O crime de embriaguez ao volante (ou dirigir sob influência de qualquer substância psicoativa) está inserido na Lei nº 12.760, mais especificamente no art. 306. Nela, o condutor pode sofrer detenção de seis meses a três anos, multa ou proibição de obter a habilitação para dirigir. Na maioria das vezes, os sinais de embriaguez são facilmente percebidos por outras pessoas, seja pela voz, locomoção ou outra atitude. Mas, e se um aplicativo fosse capaz de perceber essas nuances? Na coluna de hoje (21), o professor Luli Radfahrer comenta sobre a descoberta de pesquisadores de Pitsburgo, Pensilvânia, Estados Unidos, que através de um aplicativo pode mudar a questão do crime de embriaguez ao volante.

“Pesquisadores da Universidade de Pitsburgo pesquisaram, com 90% de precisão, que dá para identificar se alguém está alcoolizado com apenas dez passos a partir de um aplicativo instalado no celular”, comenta o colunista. De acordo com ele, o aplicativo consegue identificar e alertar quando esses passos são notados.

No entanto, para Radfahrer, o que essa pesquisa mostra, de fato, é que, com a tecnologia existente hoje nos telefones celulares, já é possível identificar uma série de coisas. Alguns aparelhos têm 15 sensores espalhados ao longo de seu corpo, tornando o celular uma verdadeira máquina de vigilância. E, como qualquer aspecto envolvendo vigilância, a privacidade do indivíduo pode estar correndo risco e empresas podem aproveitar desses aplicativos para ganhar informações e comercializar perfis, sem que a pessoa saiba e tenha interesse naquilo.        

Ouça no player acima a íntegra da coluna Datacracia.


Datacracia
A coluna Datacracia, com o professor Luli Radfahrer, vai ao ar toda sexta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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