Capital humano e educação de qualidade são sinônimos de desenvolvimento

Para o professor e economista Luciano Nakabashi, o Brasil precisa traçar estratégias para melhorar o sistema educacional e, com isso, potencializar a retomada do crescimento econômico de forma sustentável

Na coluna Reflexão Econômica desta semana, o professor Luciano Nakabashi fala da importância do capital humano no processo de crescimento e desenvolvimento econômico. Segundo Nakabashi, o capital humano tem sido enfatizado sobre o processo de crescimento e desenvolvimento econômico desde o final dos anos 50 e 60 do século passado. “É o fator de produção que aumenta a produtividade do trabalho e melhora e facilita a criação de novas tecnologias, pois geralmente utiliza pessoas muito qualificadas nesse processo e também na difusão de tecnologias existentes.”

O colunista lembra que vários artigos publicados naquele período enfatizaram a relação entre a escolaridade das pessoas, fator importante para a acumulação de capital humano, e os salários, via aumento de produtividade. “Depois veio a mensuração desses efeitos em modelos macroeconômicos, olhando os agregados econômicos, países, regiões.” Os estudos também começaram a mostrar a relação positiva entre a variável escolaridade e o crescimento e desenvolvimento econômico. Mas, a partir dos anos 2000, alguns estudos começaram a mostrar que essa relação não era muito forte. “Aqueles países que tinham um grau maior de escolaridade de sua força de trabalho não necessariamente eram mais desenvolvidos e muitos países que aumentaram a escolaridade de sua população não conseguiram ter um efeito significativo no seu crescimento e desenvolvimento.”

A resposta para esses novos achados veio com os pesquisadores Eric A. Hanushek, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e Ludger Woessmann, da Universidade de Munique, Alemanha, que, após vários estudos, mostraram que essa quebra da relação entre escolaridade e desempenho econômico ocorreu porque vários países em desenvolvimento aumentaram a escolaridade de seus alunos sem melhorar a qualidade. O professor Nakabashi dá como exemplo Brasil e Japão. “Um ano de escolaridade no Japão, na média, é muito diferente de um ano de escolaridade no Brasil, onde existem escolas boas, mas, na média, as escolas são muito ruins. Então existe uma diferença não só na quantidade, mas também na qualidade.”

Esses autores juntos e com outros pesquisadores fizeram uma série de estudos, desde os anos 2000, mostrando a importância do aprendizado do aluno. Se o Brasil quer de fato ter um bom desempenho econômico, cita Nakabashi, um dos elementos essenciais é o investimento no capital humano, uma das formas é via sistema escolar, mas com foco na melhora da qualidade. Outro achado importante, segundo Nakabashi, é que a quantidade de recursos aplicados na educação acaba não sendo muito relevante. “Vários países que gastam relativamente bastante na escola acabam tendo desempenho fraco quando comparado o desempenho cognitivo dos alunos entre diferentes países.”

Mas, alerta Nakabashi, um dos elementos fundamentais apontado pela literatura é o capital humano do professor, o grau de habilidade desse profissional. Esse fator está relacionado à sua formação, com mestrado, doutorado, instituição de formação e com salário relativo. “Quanto melhor o salário relativo do professor, mais pessoas querem ir para essa profissão e, consequentemente, vai melhorar a qualidade média dos professores.”

O colunista conclui chamando a atenção para os achados da literatura internacional que estuda o tema. “De acordo com esses estudos, se o Brasil quer potencializar a retomada do crescimento econômico de forma sustentável e também melhorar a distribuição de renda, algo que é muito grave no nosso país, é fundamental traçar estratégias para melhorar o sistema educacional, o aprendizado das crianças.”

Ouça na íntegra no player acima a coluna Reflexão Econômica, com o professor Luciano Nakabashi.


Reflexão Econômica
A coluna Reflexão Econômica, com o professor Luciano Nakabashi, vai ao ar toda quarta-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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