Cães são detectados, pela primeira vez, com a bactéria “leptospira santarosai”

A espécie era somente encontrada, até então, em animais silvestres ou de criação, como búfalos, ovelhas e vacas, como constatou estudo da Medicina Veterinária

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Depois de analisar três populações de cães na capital e numa cidade da grande São Paulo, pesquisadores constataram que alguns animais estavam contaminados com leptospira santarosai, um dos mais de 260 tipos da bactéria que transmite a leptospirose. O responsável pelo estudo, o médico veterinário Bruno Alonso Miotto, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, constatou que os cães podem estar participando de uma “cadeia de transmissão” desse tipo de bactéria.

“Os cães avaliados são de populações errantes e de abrigos”, conta o pesquisador, que participou do podcast Os Novos Cientistas. As constatações foram feitas em sua pesquisa de doutorado realizada na FMVZ. De acordo com Miotto, a transmissão ocorre via contato direto com a urina ou água contaminada, como as de enchentes. A leptospirose se apresenta nas formas sintomática ou assintomática mas, nos dois casos, pode haver transmissão.

Para o pesquisador, é preciso desenvolver novos protocolos de tratamento que sejam seguros, práticos e que não promovam o desenvolvimento de resistência bacteriana, mas que, ainda assim, possam prevenir a adoção de cães portadores da bactéria leptospira, já que o diagnóstico de animais nestas condições depende de técnicas pouco disponíveis e caras.

O trabalho de Miotto foi realizado de 2012 a 2016. No início, tratava-se de uma dissertação de mestrado, mas com o desenrolar do projeto o pesquisador foi convidado a fazer o chamado doutorado direto, o que lhe garantiu mais dois anos de estudo.

O podcast Os Novos Cientistas vai ao ar toda quinta-feira, às 8 horas, dentro do Jornal da USP no Ar, que é apresentado diariamente pela jornalista Roxane Ré (das 7h30 às 9h30) na Rádio USP FM (93,7 MHz).

Ouça a íntegra do podcast

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