As lições que a morte de Marina Harkot nos deixou

Paulo Saldiva observa que, para a estudante e cicloativista, a mobilidade era um instrumento de promoção de igualdade entre as pessoas e de cidadania, além de contribuir para a saúde humana

 23/11/2020 - Publicado há 1 ano
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Ao lamentar a morte por atropelamento da pesquisadora da USP e cicloativista Marina Harkot, o professor Paulo Saldiva lembra que a jovem acreditava que a mobilidade é mais do que simplesmente levar as pessoas de um lugar a outro, pois a considerava um instrumento de promoção de igualdade entre as pessoas e de cidadania, além de um meio de contribuir para a preservação da saúde humana. Diz o colunista: “A mobilidade ativa e o ciclismo são um instrumento poderoso para a redução da epidemia de obesidade, síndrome metabólica, doenças cardiovasculares e osteopenia”.

Ele defende a criação de calçadas mais seguras, sinalização semafórica, adição de limites adequados de velocidade e a construção de vias apropriadas para o uso de bicicletas, um conjunto de medidas, enfim, capaz de contribuir “para uma importante redução de acidentes, incapacidades e mortes”.

Saldiva observa ainda que a mobilidade eficiente é ativa, inclusiva e é central para a implementação de políticas públicas voltadas para a redução das desigualdades, promoção da qualidade de vida e melhoria da saúde humana. Ele expressa a esperança de que a nova gestão municipal dedique espaço maior para a mobilidade urbana. E conclui lembrando que devemos descaracterizar o uso da bicicleta como sendo uma coisa de ativistas, “mas sim que quem mais usa a bicicleta são os que menos têm posses e, portanto, economizam muito ao evitar pagamento de um transporte público caro e ineficiente”.


Saúde e Meio Ambiente
A coluna Saúde e Meio Ambiente, com o professor Paulo Saldiva, vai ao ar toda segunda-feira às 9h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção  do Jornal da USP e TV USP.

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