Ambulantes pressionam Prefeitura por espaço na região central

Raquel Rolnik avalia que “é melhor entender que, do ponto de vista urbanístico, o comércio pode ser um ponto de uso das ruas, basta saber como integrá-lo aos demais”

 16/09/2021 - Publicado há 1 mês
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O comércio ambulante é uma atividade milenar. No passado, o Sindicato dos Trabalhadores Ambulantes de São Paulo se chamava Sindicato dos Milenares, porque esse ato, de fazer comércio nas ruas e praças, é tão antigo quanto a existência da cidade. Mas infelizmente, na cidade moderna, há uma tensão entre o comércio que ocupa os lotes daquele que ocupa as ruas.

Esse desconforto não é exclusivo da cidade de São Paulo, nem mesmo de outras cidades brasileiras ou latino-americanas, mas está presente em grande parte das cidades do mundo, onde um grupo da população utiliza esse meio como forma de sobrevivência, sendo uma economia popular.

Entretanto existe a questão do uso do espaço público para a circulação dos automóveis, dos pedestres: a ocupação comercial formal, ou seja, imobiliária da cidade, que sempre representa tensões.

Recentemente, no final de agosto, ocorreram dois atos de ambulantes – um em frente à Subprefeitura da Mooca e outro no Viaduto do Chá, próximo à Prefeitura – protestando contra a administração pública que quer tirar um grande contingente desses comerciantes das ruas da cidade, principalmente na região central, em locais como a Feira da Madrugada, Brás e entorno.

A Feira da Madrugada começou com comerciantes ambulantes, que ocuparam um terreno da União, no Brás, para aproveitar esse forte polo regional de comércio para diversificar um grande número de produtos. E, depois dessa novela de tira não tira, constrói não constrói, finalmente houve uma solução por parte da Prefeitura, que ali mantém construção de boxes, similar a um shopping center, para os cadastrados.

Com isso, os que não conseguiram o cadastro migraram para as ruas vizinhas, especificamente a Rua Tiers, que é objeto de um projeto dos comerciantes da rua em criar no local um boulevard, e os ambulantes que ocupam esse espaço não poderão mais ficar nesse local.

Moral da história: os ambulantes têm protestado e exigido atenção. Não adianta imaginar que esse tipo de comércio vai ser exterminado, principalmente em tempos de crise como a que se vive atualmente. “É melhor entender que, do ponto de vista urbanístico, o comércio pode ser um ponto de uso das ruas, basta saber como integrá-lo aos demais”, avalia a professora Raquel.


Cidade para Todos
A coluna Cidade para Todos, com a professora Raquel Rolnik, vai ao ar toda quinta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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