A velha burguesia perdeu poder e hoje fica à sombra dos novos donos do mercado: os bilionários

Marília Fiorillo diz que os grandes capitais substituíram a burguesia e agem como querem para alcançar seus objetivos

 Publicado: 12/11/2021

No século retrasado, os pensadores geniais definiram o estado como comitê que administra os negócios da burguesia. A ideia de Marx e Engels está expressa no Manifesto Comunista e na obra A origem da família, da propriedade privada e do Estado. As relações íntimas entre a antiga burguesia e a riqueza continuam valendo, mas, se o manifesto fosse reescrito hoje, talvez definisse o Estado como comitê executivo não dos burgueses, mas dos muito endinheirados e parasitários. “Aquela burguesia laboriosa do século 19, que tinha sido revolucionária ao alavancar os meios de produção, atualmente, é só coadjuvante se comparada ao protagonismo do capital financeiro”, diz Marília. 

Os donos do capital da modernidade trocaram os meios de produção pela especulação financeira e outros têm como hobby produzir naves espaciais. A antiga burguesia se ocupava da economia, enquanto seu sucessor a trocou pelo mercado, uma palavrinha enigmática definida por várias características exatas e dependente de vários fatores e infraestruturas da sociedade. “O fator esquecido pelos muito endinheirados, cujo aborrecimento é não saber onde colocar tanto dinheiro sobrando, é o “fator gente”, aquela turma gigantesca que vive de vender o único bem que possui: a sua capacidade de trabalho”.

“A série de humor negro Succession mostra as entranhas das relações promíscuas entre um grupo de mídia, políticos e canibalismo familiar”, diz a colunista. A série foi premiada e aclamada pela crítica, e não se trata de uma caricatura. “É tudo verdade nessa ficção que imita o real”, afirma. “Escrúpulo é sinônimo de ser otário; ter na mão vários políticos poderosos é indispensável; e a única agenda que vale é levar a melhor, isto é, quem vai ganhar a corrida da acumulação de dinheiro e poder”. 


Conflito e Diálogo
A coluna Conflito e Diálogo, com a professora Marília Fiorillo, vai ao ar toda sexta-feira às 10h50, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

.


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.