A desinformação também ocorre com boas notícias, explica colunista

Carlos Eduardo Lins da Silva avisa sobre o perigo das boas notícias engessarem o noticiário

Devido às notícias da covid-19 em meados de março, houve um pico na audiência dos jornais e, no início de abril, o aumento da busca foi por notícias boas. Por que acontece esse fato? O professor Carlos Eduardo Lins da Silva explica que há um fenômeno no jornalismo que se chama fadiga da informação.

No caso das informações sobre a pandemia, esse problema também vem acontecendo. Estudos feitos por duas agências de acompanhamento de audiência virtual mostram que houve 300 milhões de visitas a sites de jornais, notícias e informativos e nos Estados Unidos subiram para 1,3 bilhão a partir de meados de março. No entanto, no início de abril, esse número caiu. “Pode ser que as pessoas estejam começando a ficar cansadas ou suficientemente informadas sobre esse assunto”, observa o professor.

Uma demanda que tem aumentado é a busca por notícias boas. Muitos sites informativos estão criando sessões de boas notícias. Para Lins da Silva, essa tendência é meio perigosa. “Publicar boas notícias não é uma novidade. Em toda época de crise faz-se isso. Entretanto, isso tende a engessar o noticiário. É preciso tomar cuidado porque a desinformação também ocorre com boas notícias”, ressalta.

Para o professor, as grandes plataformas de divulgação têm sido omissas no combate às informações falsas, geradas e transmitidas por diversas pessoas, inclusive por autoridades. Somente agora, com essa situação de pandemia, é que as plataformas resolveram se posicionar contra as fake news. “O Facebook, além de tirar as notícias falsas do ar, está avisando os usuários que recebem e compartilham notícias falsas, redirecionando-as para o site da Organização Mundial da Saúde (OMS)”, lembra Lins da Silva.

Ouça no link acima a íntegra da coluna Horizontes do Jornalismo.


Horizontes do Jornalismo
A coluna Horizontes do Jornalismo, com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, vai ao ar toda segunda-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção  do Jornal da USP e TV USP.

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