A COP26, o desmatamento e a imagem do Brasil

Alberto do Amaral diz que a imagem do País fica cada vez pior no plano internacional, porque há uma contradição entre o discurso oficial do governo e as medidas práticas para chegar às metas propostas

 Publicado: 23/11/2021
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A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas terminou sem os resultados esperados. Infelizmente, acordos mais ambiciosos para evitar o aquecimento global não foram celebrados na conferência de Glasgow, que reuniu autoridades do mundo inteiro. Um acontecimento de enorme importância foi o clube climático – um grupo de países que se reúne para reduzir o aquecimento global -, que surtiu resultado, já que, durante a COP26, um acordo foi celebrado para diminuir o gás metano na atmosfera.

Outro resultado positivo foram as regras do comércio de carbono. Em contrapartida, nada foi feito sobre a redução dos combustíveis fósseis e a razão são os problemas geopolíticos entre Estados Unidos e China, por isso não foram anunciadas medidas a longo prazo.

“O Brasil já sente os efeitos das mudanças climáticas: crise hídrica, circulação de umidade da região amazônica para a região Sudeste, falta de chuvas, acionamento de usinas termoelétricas, entre outros.”

A COP 26 celebrou o acordo para o desmatamento, compromisso que o Brasil assumiu em reduzir a nível zero até 2030. Curiosamente, um mês após a divulgação dos resultados, normalmente feito em outubro, o governo federal divulgou um resultado desanimador, com crescimento sem precedentes do desmatamento na região amazônica. O boletim não foi divulgado antes da COP porque mancharia a imagem do Brasil durante a Conferência do Clima e suscitaria inúmeras críticas ao governo brasileiro. Vale lembrar que o desmatamento tem sido feito em áreas públicas, mediante grilagem, ligado ao crime, como mineração, contrabando de madeira, tráfico de drogas, entre outros.


Um Olhar sobre o Mundo
A coluna Um Olhar sobre o Mundo, com o professor Alberto Amaral, vai ao ar toda terça-feira às 10h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção  do Jornal da USP e TV USP.

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