USP Analisa #38: Herança da cultura indígena, ayahuasca desperta interesse de cientistas

USP Analisa #38: Herança da cultura indígena, ayahuasca desperta interesse de cientistas
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Conhecida por seu papel na cultura indígena e em religiões como o Santo Daime, a ayahuasca vem sendo estudada por seu potencial benéfico em doenças como a depressão e até mesmo para tratar dependência química. Na última parte da entrevista especial ao USP Analisa, o pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, Rafael Guimarães dos Santos, fala sobre a história e a situação atual das pesquisas com essa erva.

Ele explica que as religiões envolvendo o consumo dessa planta surgiram a partir da década de 1930, no Norte do Brasil, e baseou-se em um misto de cultura afro-brasileira, cultura indígena, xamanismo e o catolicismo popular presente na Amazônia. Assim, surgiram o Santo Daime e, posteriormente, a Barquinha e a União do Vegetal.

“Nessas religiões, a ayahuasca tem papel central como sacramento, ela não é utilizada como uma droga recreativa. Inclusive, dependendo do contexto, se você fala que a ayahuasca é uma droga, a pessoa fica ofendida, porque ela tem bem claro que aquilo é um sacramento”, diz Santos.

A partir dos anos 1990, o pesquisador conta que a ciência começou a ter interesse em estudar a ayahuasca devido aos relatos dos usuários. “Pessoas falavam que deixaram de usar cocaína ou melhoraram a relação com a família após começarem a frequentar esses cultos. Sabemos que há relatos como esses também em outras religiões, como a católica ou as pentecostais, mas os pesquisadores começaram a ficar curiosos: será que tem algo a ver com a ayahuasca? Ou é a cerimônia religiosa que produz esses efeitos?”

Rafael Santos conta ainda que o grupo da FMRP é o principal produtor de conhecimento nessa área e tem trabalhos em conjunto também com a Universidade Federal de Natal, a Unifesp e a Unicamp. “Em colaboração com o grupo do professor Bráulio de Barros Araújo, da UFRN, mostramos que uma dose única de ayahuasca em pacientes com depressão reduziu os sintomas desses pacientes nas primeiras horas e até duas ou três semanas depois. Mas lembrando que é apenas um estudo preliminar que mostrou esse potencial”, alerta ele.

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O USP Analisa Vai ao ar pela Rádio USP às quartas-feiras, às 18h05, com reapresentação aos domingos, às 11h30, e também está disponível nos principais agregadores de podcast. O programa é uma produção conjunta da Rádio USP Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP. Apresentação e edição: Thaís Cardoso. Produção: João Henrique Rafael Junior. Coordenação: Rosemeire Talamone. 

 

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