USP Analisa #37: Brasil se destaca na produção científica sobre canabidiol

Segunda parte de entrevista especial exibida pelo USP Analisa aborda histórico do uso medicinal da maconha e pesquisas atuais com esse e outros compostos

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USP Analisa #37: Brasil se destaca na produção científica sobre canabidiol
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Uma planta milenar, com mais de 500 compostos químicos, que é grande fonte de fibras e tem histórico de usos medicinais, industriais e até religiosos. Não parece, mas estamos falando da maconha, cujo uso medicinal é estudado no Brasil e no mundo desde os anos 80 e pode ter efeito benéfico em casos de epilepsia, ansiedade, Parkinson e até autismo. No USP Analisa desta semana, você ouve a segunda parte da entrevista especial com o pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, Rafael Guimarães dos Santos, que conta um pouco sobre o histórico desse vegetal, o papel de compostos como o canabidiol (CBD) e o tetra-hidrocanabinol (THC) e detalha como estão as pesquisas atuais sobre eles no Brasil, país que se destaca na produção científica sobre canabidiol.

Santos conta que, até a década de 1940, extratos medicinais de maconha ainda faziam parte da farmacopeia (espécie de código oficial farmacêutico) nos Estados Unidos. “Foi justamente na época dos anos 40, 50 e 60, quando começaram a aparecer fármacos purificados na indústria farmacêutica, que esses compostos da maconha de pouca padronização foram ficando de lado”, explica.

Na década de 70, o crescimento do uso pelos jovens, inspirados pelo movimento hippie, e estudos mostrando uma série de efeitos adversos levaram à proibição do uso. Mas as décadas seguintes trouxeram a substância de volta à discussão no âmbito medicinal, com estudos desenvolvidos em Israel sobre os endocanabinoides, produzidos pelo próprio corpo humano.

“O canabidiol, durante a maior parte desse tempo, era uma molécula desconhecida. Ele foi isolado em 1940, mas ficou meio ali na gaveta. Na década de 60, o THC foi isolado pelo grupo do professor Rafael Mechoula e começou a haver um enfoque maior nele e nos efeitos adversos. Só no final dos anos 1970, 1980, que o CBD começa a aparecer. Os brasileiros têm um papel importante nesse nascimento da pesquisa com canabidiol. Professores como Elisaldo Carlini, da Unifesp, e Antônio Waldo Zuardi, aqui da FMRP, começaram a fazer os primeiros estudos com canabidiol em animais no final da década de 70”, conta o pesquisador.

Hoje, segundo ele, a USP é a que mais produz ciência em canabidiol no mundo, numericamente falando. “Realmente somos pioneiros, os primeiros estudos do mundo sobre efeitos antipsicóticos e ansiolíticos do canabidiol em seres humanos são aqui do nosso grupo.” 

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O USP Analisa Vai ao ar pela Rádio USP às quartas-feiras, às 18h05, com reapresentação aos domingos, às 11h30, e também está disponível nos principais agregadores de podcast. O programa é uma produção conjunta da Rádio USP Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP. Apresentação e edição: Thaís Cardoso. Produção: João Henrique Rafael Junior. Coordenação: Rosemeire Talamone. 

 

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