USP Analisa #20: Edição de genes pode ser usada no combate à covid-19

Estudo realizado na Faculdade de Medicina e na Faculdade de Odontologia, ambas da USP de Ribeirão Preto, que utiliza a técnica CRISPR, é tema do USP Analisa desta semana

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USP Analisa #20: Edição de genes pode ser usada no combate à covid-19
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Uma técnica que já existe há cerca de cinco anos na genética agora está sendo utilizada em pesquisas voltadas ao combate à covid-19, desenvolvida pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, ambas da USP. Trata-se da CRISPR-Cas9, um procedimento de edição de genes que poderá ser usado para evitar a infecção da célula pelo sars-cov-2. Para falar sobre esse estudo, o USP Analisa recebe nesta semana o professor da Forp Geraldo Aleixo Passos.

Ele explica que o vírus infecta as células por meio de um mecanismo semelhante ao de chave-fechadura. A técnica seria usada para interferir no “segredo” que reconhece a “chave”. “Para fazer isso, nós temos que ‘fazer uma cirurgia’ no gene que está no núcleo da célula e que codifica o receptor do vírus. É nessa hora que entra essa técnica de edição de genes, porque nós vamos em uma região específica do genoma onde está situado o gene do receptor do vírus e vamos introduzir alterações que impedem a proteína do vírus de se associar.” 

A ideia de usar essa técnica vem da expertise que o laboratório de Passos adquiriu estudando a genética molecular do sistema imunológico com foco na tolerância imunológica, ou seja, a capacidade de o corpo não atacar seus próprios órgãos e tecidos. A perda dessa tolerância está associada à glândula do timo, que expressa o gene Aire (autoimmune regulator). Os pesquisadores utilizaram a técnica CRISPR para “desligar” o gene e estudar o efeito da falta de sua função.

“Nós já tínhamos adquirido a expertise com essa pesquisa fundamental. Quando surgiu o problema da covid-19, nós começamos a estudar o que a literatura nos diz sobre essa infecção, como o vírus entra na célula. Então, nós raciocinamos para usar o CRISPR e alterar a parte da ACE2 (proteína que fica na superfície das células e funciona como receptor do vírus) exatamente no ponto em que o vírus se atraca nessa proteína. Mas isso só foi possível por causa de um trabalho prévio, de um projeto prévio que não tinha nada a ver com a covid”, diz ele, ressaltando a importância da pesquisa básica no atual momento.


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O USP Analisa Vai ao ar pela Rádio USP às quartas-feiras, às 18h05, com reapresentação aos domingos, às 11h30, e também está disponível nos principais agregadores de podcast. O programa é uma produção conjunta da Rádio USP Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP. Apresentação e edição: Thaís Cardoso. Produção: João Henrique Rafael Junior. Coordenação: Rosemeire Talamone. 

 

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