Tecnologias do Futuro #07: Sanitários independentes da rede de esgoto são boa solução, mas não fazem mágica

Para a professora Monica Porto, da Escola Politécnica da USP, novo tipo de banheiro, barato o suficiente para estar presente nos lugares mais carentes, não resolve todos os problemas do saneamento, mas é passo na direção certa

Por - Editorias: - URL Curta: jornal.usp.br/?p=274315

Tecnologias do Futuro #07: Sanitários independentes da rede de esgoto são boa solução, mas não fazem mágica
Momento Tecnologia - USP

 
 
00:00 / 6:09
 
1X
 

Apesar dos muitos avanços tecnológicos que revolucionaram a vida moderna, a distribuição de serviços e infraestruturas que facilitam a vida nas cidades ainda não é universal. De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), lançado em 2017, 4,5 bilhões de pessoas não dispõem de saneamento seguro no mundo.

A falta de banheiros adequados encoraja pessoas a despejar seu esgoto em locais inadequados, espalhando bactérias, vírus e parasitas que podem causar diarreia e cólera.

Para a professora Monica Porto, da Escola Politécnica (Poli) da USP, a dificuldade enfrentada para se universalizar o saneamento básico é grande. No Brasil, “ela é de dois tipos e universalizar o saneamento em todo o País requer um investimento bastante significativo”, explica. Além disso, “nossas áreas urbanas cresceram de forma muito desorganizada e a construção de rede de esgoto em áreas muito desorganizadas é muito difícil”.

Com isso em mente, especialistas estão trabalhando para construir um novo tipo de banheiro, que seja barato o suficiente para estar presente nos lugares mais carentes, e que possa não apenas descartar o lixo, mas também tratá-lo.

A partir de 2011,  o empresário Bill Gates lançou o Desafio Reinventar o Banheiro. O concurso estimulou várias equipes a colocarem protótipos em campo. A maioria deles processa o lixo dos esgotos localmente, eliminando a necessidade de grandes quantidades de água para transportá-lo para uma estação de tratamento distante.

De acordo com a professora, esse tipo de tecnologia já tem sido aplicada em locais como a Índia com algum sucesso. “Elas têm uma vantagem grande para áreas rurais, mas encontram dificuldade de investimento.”

Para ela, a ideia é interessante, mas não resolve todos os problemas de locais sem redes de esgoto, que incluem o recolhimento da matéria fecal, ainda que decomposta, e a manutenção dos equipamentos que atuam nessa decomposição. Conforme a especialista, esses novos tipos de banheiros “são soluções boas, mas não são soluções mágicas”.

Ouça a matéria completa acima.

Para receber atualizações com novos episódios, assine o feed do podcast Momento Tecnologia. Estamos também no Spotify, no iTunes, Google Podcasts, entre outros apps.

Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.