Sociedade em Foco #92: Reforma administrativa da Prefeitura de São Paulo irá impactar a vida e a renda dos servidores públicos

Para o professor José Luiz Portella, a reforma administrativa é uma necessidade, mas ela vem em um momento muito ruim por conta da pandemia, sendo preciso ser feita de forma adequada

Jornal da USP
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Sociedade em Foco #92: Reforma administrativa da Prefeitura de São Paulo irá impactar a vida e a renda dos servidores públicos
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A Prefeitura de São Paulo pretende implementar uma reforma administrativa para tentar reduzir o déficit da Previdência, no valor de R$ 171 bilhões. A Prefeitura alega que a reforma iria reduzir o rombo orçamentário em cerca de R$ 100 bilhões. A reforma iria afetar cerca de 73 mil servidores públicos, que teriam sua renda impactada pelas mudanças nos valores descontados dos rendimentos. O déficit, causado pela Previdência, seria acumulado nos próximos 75 anos.

“Para as finanças da Prefeitura, isso, sem dúvida nenhuma, é uma necessidade, é muito importante, só que as pessoas estão no pior momento, por conta da pandemia e da redução de renda”, diz o professor José Luiz Portella, doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Segundo ele, por mais que haja benefícios na implementação que gerem uma economia para os cofres da Prefeitura, o momento não é o ideal para isso, por conta da crise econômica e da inflação, que vêm afetando a renda da população, e da pandemia de covid-19. 

Para Portella, apesar de a Prefeitura alegar que só está pondo em prática a reforma administrativa estabelecida por lei pelo governo Temer, em 2019, nada impede que, após a sua implementação, ela seja suspensa por um determinado tempo, como forma de evitar efeitos colaterais sobre os servidores públicos. “A reforma administrativa vem em um contexto que ela tem uma necessidade, mas ela vem em um momento muito ruim por conta da pandemia”, afirma o professor.


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