Saúde sem Complicações #79: Sintomas da síndrome de Cuching podem ser confundidos com os de outras doenças

Associados a sintomas comuns a outras doenças, o paciente também apresenta rosto vermelho e arredondado, diminuição da massa muscular das pernas e braços, estrias violáceas (largas e vermelhas), acnes e pelos, manchas roxas pelo corpo, além de distúrbios menstruais em mulheres e dificuldades de uma vida sexual normal nos homens, e ainda, distúrbios emocionais e psiquiátricos como depressão, perda de memória e insônia

Jornal da USP
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Saúde sem Complicações #79: Sintomas da síndrome de Cuching podem ser confundidos com os de outras doenças
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O Saúde sem complicações desta semana recebeu a professora Margaret de Castro, titular do departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto para falar sobre síndrome de Cuching. Especialista em endocrinologia a professora diz que a síndrome de Cuching se caracteriza pela produção excessiva de cortisol ou glicocorticóides endógenos, ou seja, pelo próprio organismo. Mas essa síndrome também pode ser  desencadeada pelo consumo excessivo de medicamentos a base de corticóides. “Então temos a síndrome de Cuching endógena, quando a produção vem das glândulas suprarrenais, e a síndrome de Cuching exógena, quando é resultado do consumo excessivo de corticóides”, explica a professora.

A professora informa que o cortisol é produzido pelas glândulas suprarenais, responsáveis pela produção de vários hormônios, entre eles os glicocorticóides, descobertos na década de 1950, e responsáveis pela vida dos seres humanos e também dos animais que produzem glicocorticóides similares. Margaret diz que existe uma gama enorme de sinais e sintomas, alguns frequentes, especialmente nas mulheres após os 40 anos, como diabete, pressão alta e obesidade.

Entretanto, essas condições aparecem associadas a outros sintomas e sinais que aumentam a probabilidade de acertar e pensar o diagnóstico, como a obesidade ser centrípeta, aquela com maior gordura na região do abdome, rosto vermelho e arredondado, diminuição da massa muscular das pernas e braços, estrias violáceas (largas e vermelhas), acnes e pelos, manchas roxas pelo corpo, além de distúrbios menstruais em mulheres e dificuldades de uma vida sexual normal nos homens. Distúrbios emocionais e psiquiátricos como depressão, perda de memória e insônia também estão associados a essa doença. “É importante o paciente, o médico generalista e até para o endocrinologista que trabalha mais com diabetes ter conhecimento sobre essa doença.”

Margaret lembra que crianças também podem ter síndrome de Cuching e o principal sintoma é a obesidade associada a parada do crescimento, além de acnes e pelos. A causa da síndrome de Cuching na criança, explica a professora, tem uma diferença na apresentação em relação ao adulto. “Enquanto no adulto, de 70 a 80%, o tumor é na glândula hipófise, que controla a glândula adrenal,  na criança a grande maioria tem o tumor na glândula adrenal.”

Antes de qualquer exame laboratorial, a professora enfatiza que é necessário saber a história clínica do paciente, se fez uso de corticóides e os sinais e sintomas apresentados, somente a partir da detecção desses informações é que, se for o caso, o médico pede os exames. Na entrevista a professora fala quais os exames devem ser feitos e as características do cortisol no organismo. “O cortisol tem um ritmo circadiano no organismo e é o hormônio de estresse, normalmente a pessoal tem ele aumentado às nove da manhã e baixo as 11 da noite, mas nas pessoas com cuching ele perde essa característica.”

Já o tratamento, na maioria dos casos, 95%, é baseado em cirurgia. Se o tumor estiver na hipófise, a cirurgia é a transesfenoidal, e é feita pelo neurocirurgião. Já se o tumor for na glândula adrenal, a cirurgia é a adrenalectomia, e ficará a cargo de um urologista. “A grande maioria se cura e uma pequena parcela precisa de outros tratamentos para controlar a doença, como quimioterapia, por exemplo. “É uma doença rara, pouco pensada e a partir de um diagnóstico inicial é necessário que o paciente seja encaminhado para um centro de referência no seu tratamento, como o Hospital das Clínicas da FMRP, por exemplo, para continuar a investigação diagnóstica, para o tratamento e o acompanhamento no pós-cirúrgico quando for o caso. como para a segui-los caso não haja sucesso na cirurgia.”


Saúde sem complicações

Produção e Apresentação: Mel Vieira
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão Preto
Edição: Rita Stella
E-mail: ouvinte@usp.br
Horário: terça-feira, às 13h.
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS
 

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