Saúde Sem Complicações #51: No inverno, apresentar palidez e arroxeamento nas extremidades do corpo pode indicar fenômeno de Raynaud

A manifestação é comum para grande parte da população e nem sempre constitui doença

Jornal da USP
Saúde Sem Complicações #51: No inverno, apresentar palidez e arroxeamento nas extremidades do corpo pode indicar fenômeno de Raynaud
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O podcast Saúde Sem Complicações desta semana recebe Maria Carolina de Oliveira Rodrigues, professora da Divisão de Imunologia Clínica no Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, para falar sobre o fenômeno de Raynaud. Na entrevista, a professora explica o que é o fenômeno de Raynaud, seus sintomas, diagnóstico e o tratamento da manifestação.  

O que é o fenômeno de Raynaud

O fenômeno de Raynaud, explica Maria Carolina, é o quadro clínico do indivíduo que, ao entrar em contato com o frio, apresenta palidez nas extremidades do corpo, principalmente nas mãos, onde os dedos podem ficar arroxeados, de cinco até 20 minutos. A manifestação também pode acometer pés, nariz e orelhas. Segundo a professora, ainda há poucas investigações sobre os fatores de risco para o fenômeno, mas existem algumas especulações sobre influências genéticas.

A médica também informa que “nem sempre” a condição constitui doença e que há “uma grande parcela da população que apresenta esse fenômeno”, sendo “só uma manifestação que aparece e desaparece e não causa nenhuma consequência”, o que é chamado de fenômeno de Raynaud primário. As mulheres entre 15 a 40 anos de idade são as mais atingidas pela condição, conta a professora.  

Maria Carolina também explica que o fenômeno pode ser desencadeado por estímulos emocionais e que isso pode acontecer diversas vezes durante o dia. A grande frequência da manifestação pode indicar associação do fenômeno a doenças. 

Fenômeno de Raynaud associado a doenças

Algumas características indicam maior gravidade do fenômeno de Raynaud, quando este é chamado de secundário. Sintomas prolongados com duração maior de 15 minutos, “mãos muito arroxeadas”, com formigamento e dores, e até feridas nas pontas dos dedos são alertas para relação com outros problemas de saúde, informa a professora. E, às vezes, o fenômeno pode estar associado às doenças colagenosas, como o lúpus e a esclerose sistêmica.

Tabagismo, “doenças nos vasos”, problemas na tireoide e até algumas medicações também são condições que podem desencadear o quadro de Raynaud, informa Maria Carolina.

Diagnóstico e tratamento do fenômeno de Raynaud

O médico reumatologista é o profissional capacitado para investigar a condição, por meio de avaliação clínica, diálogo com paciente e exames de sangue e de urina, explica a professora. Além disso, o exame de capilaroscopia periungueal auxilia na diferenciação dos tipos de fenômeno de Raynaud.  

Ao se sentir incomodado com os sintomas do fenômeno de Raynaud primário, o indivíduo que apresenta a condição deve manter o corpo aquecido, como “usar casaco e luvas”. “E, na insuficiência dessas medidas, medicamentos vasodilatadores podem ser alternativa para a manifestação”, afirma Maria Carolina.

Já para o paciente com o fenômeno de Raynaud secundário, “essas medidas são obrigatórias”: aquecimento e medicações. E, no tratamento de doenças associadas ao Raynaud, o fenômeno pode apresentar melhoras.

Os ouvintes podem enviar sugestões de temas e comentários para o e-mail: ouvinte@usp.br


Saúde sem complicações

Apresentação: Mel Vieira
Produção: Mel Vieira e Flávia Coltri
Edição: Rita Stella
Edição Sonora: Mariovaldo Avelino e Luiz Fontana
Coordenação: Rosemeire Talamone
Edição Geral: Cinderela Caldeira
E-mail: ouvinte@usp.br
Horário: terça-feira, às 13h.
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS
 

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