São Paulo invisibilizou personagens do centro em nome da modernização

Para deixar o rótulo de “Cidade do Café” e se transformar numa cidade urbanizada e saneada, no início do século 20, São Paulo passou por diversas obras de embelezamento e de melhoramentos urbanos. Foi quando diversas pessoas que viviam no centro acabaram invisibilizadas e marginalizadas

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Jornal da USP
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Entre os anos de 1905 e 1938, São Paulo passou por uma remodelação para se tornar uma cidade urbanizada e saneada. “Houve uma tentativa de transformá-la para ter padrões europeus”, conta a historiadora Maíra Cunha Rosin. Ela á autora da pesquisa de doutorado intitulada Dos bêbados, das putas e dos que morrem de amor: os marginais do embelezamento e dos melhoramentos urbanos (1905-1938) e foi a entrevistada desta quinta-feira (23) no podcast Os Novos Cientistas. O estudo teve a orientação da professora Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno e foi defendido na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. “Foi assim que a cidade tentou se adequar à modernidade para deixar de ser a ‘Cidade do Café’. Nesse contexto, diversas pessoas que habitavam o centro acabaram invisibilizadas e marginalizadas”, contou a pesquisadora

De acordo com Maíra, embora as diretrizes do poder público apontassem para a expulsão desses indesejados do centro da cidade para zonas mais periféricas, muitos deles resistiram e permaneceram, seguindo com suas vivências à revelia das políticas públicas. “É quando bêbados, donas de botequim, prostitutas e mulheres vítimas de feminicídio aparecem, buscando manter suas existências ativas na cidade”, descreveu a historiadora, destacando que o período estudado é marcado pela demolição da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandu, e pela publicação do Relatório sobre os Divertimentos Públicos, do Departamento de Cultura da Capital.

A pesquisa de Maíra é uma continuidade de seu mestrado que foi realizado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), então sob a orientação da professora Maria Odila Leite da Silva Dias. “Acabei indo para a FAU por que achei ser um lugar melhor para desenvolver a continuidade do estudo num programa de doutorado. Havia uma relação mais direta com as áreas de urbanismo”, justificou. Sua pesquisa foi feita em arquivos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo onde Maíra coletou cerca de 400 processos-crime.


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